João Pessoa
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Atividades do Grupo Alcoólicos Anônimos serão retomadas na Empasa

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 - 12:38 - Fotos: 

A reabertura do Grupo AA da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa) será realizada nesta quarta-feira (03) e será marcada pela apresentação da palestra “Prevenção do Alcoolismo: Uma questão de Qualidade de Vida”, ministrada pelo psicólogo da UFPB, Fernando Lima. O evento será realizado às 9h30, no auditório da Empasa, antiga Ceasa, localizado na Avenida Ranieri Mazilli, no bairro do Cristo Redentor, em João Pessoa. O grupo ‘Institucional Semear Sobriedade’ iniciou as reuniões em dezembro de 2005. As atividades estavam suspensas há dois anos.
           
Dados da Organização Mundial da Saúde estimam que o alcoolismo atinge, atualmente, 10% da população paraibana. Aos 13 anos, João teve o primeiro contato com a bebida alcoólica, por influência dos próprios pais, que já eram alcoólatras. “Nàquela época no interior, o filho tinha que beber logo cedo para mostrar que era homem. Meu pai sempre falava”, conta.
 
Desde então, a relação com a bebida foi se tornando, cada vez, mais estreita. João cresceu, casou e teve cinco filhos. Mas, não deixou o vício, que chegou ao auge quando ele estava com 30 anos. Segundo ele, que trabalha como vigilante na Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas, inúmeras vezes, ele gastou todo o salário do mês em bebida. “Teve época que não tinha dinheiro, então cheguei a beber álcool para saciar a vontade”, relata.
 
Resgatar a confiança da família

Há 22 anos, ele freqüenta o Programa dos Alcoólicos Anônimos da Empasa. Desde então, garante que não teve nenhuma recaída. Um dos oito irmãos do vigilante não teve a mesma sorte. Morreu aos 43 anos por causa do vício. O que fortaleceu a vontade de João a continuar freqüentando o grupo. “Hoje, sou um homem rico. O AA mudou minha vida por completo. Consegui resgatar a confiança da minha família”, ressalta.
 
A cena se repete na vida de Adriana. Assim como João, ela também teve muito cedo o primeiro contato com o álcool. “Eu sempre ajudei a minha mãe nas tarefas domésticas e como na nossa casa tinha licor, eu me premiava com uma dose da bebida, foi aí que tudo começou”, conta.

Aos 31 anos, Adriana passou a enfrentar sérios problemas com o álcool. O primeiro marido também era um dependente de bebida alcoólica. O casamento durou nove anos e eles tiveram dois filhos.  Como tinha uma boa condição financeira, Adriana chegava a deixar os filhos com a babá para sair com os amigos no final de semana para beber. Ela admite que, por várias vezes, faltou ao trabalho para saciar o vício. “O mais difícil é admitir que o álcool exerce um domínio na vida da gente”, diz.

Ela já foi internada três vezes na tentativa de se afastar do vício. Mas, a conquista de estar sóbria, Adriana atribui a força de vontade e ao apoio dos Alcoólicos Anônimos, que ela participa há 13 anos, em João Pessoa. Irmandade mundial de homens e mulheres que se ajudam, mutuamente, a manter a sobriedade e que se oferecem para partilhar, livremente, as experiências na recuperação com outros.

Para alcoólicos como Adriana, iniciativas, como essa, só ajudam. “O AA tem me ajudado muito. Há dez anos eu parei de beber, mas já tive recaída. O que me faz resistir ao vício é o medo. Se eu não estivesse no AA, talvez eu estaria louca, no presídio ou sem os meus filhos. Hoje, eu tenho uma família bem estruturada. Minha filha está bem na escola e meu filho já está na universidade, graças ao AA”, ressalta.

Adriana Saito, da Assessoria de Imprensa da Empasa