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Associações e cooperativas são beneficiadas pelo Empreender-PB

sábado, 31 de dezembro de 2011 - 14:23 - Fotos:  Secom-PB

Nunca se injetou tanto recurso para o microcrédito no Brasil. Os programas federais são, a cada ano, mais apurados, têm juros mais baixos e contam com mais acessibilidade e abrangência ao empreendedor individual ou cooperado. As mudanças no Supersimples e as ações de fomento ao microcrédito como o Crescer – Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado são exemplos de que o governo federal enxerga nas micro e pequenas um viés importante para o desenvolvimento da economia brasileira. Nas palavras da própria presidente Dilma Rousseff, até 2013, “nossos bancos vão trabalhar para que 3,5 milhões de pessoas tenham oportunidade de obter seu microcrédito”.

A Paraíba segue a tendência nacional e criou, há cerca de um ano, o Empreender-PB, programa de política pública de microcrédito que tem como prioridade o incentivo ao empreendedorismo por meio da concessão de crédito orientado aos empreendedores individuais ou aos grupos organizados.

O modelo surgiu do programa municipal de João Pessoa, o Empreender-JP, conhecido nacionalmente pelos bons resultados nas linhas de crédito aos microempreendedores populares da Capital. Desde que foi criado, em 2005, o Empreender-JP acumula investimentos de R$ 28.518.648,41 em empréstimos. Os valores se referem à liberação de 13.811 contratos, e cerca de 20% dos beneficiados está sempre renova o financiamento.

Por meio do Empreender-PB, o Estado oferece recursos para realização de empréstimos, proporcionando aumento das oportunidades de emprego e desenvolvimento nas cadeiras produtivas. O Empreender-PB pode gerar acesso a crédito aos pequenos empreendedores, grupos organizados, como associações e cooperativas, e às microempresas que fornecem produtos e serviços ao Paraíba.

O programa inclui, além das linhas, acesso a tecnologias sustentáveis de produção, qualificação, assistência técnica, logística de distribuição e segmentação de novos mercados. Desde a sua criação, várias instituições já foram beneficiadas, e 19 cooperativas e associações nos setores de hortifrutigranjeiros, mineração, pesca, turismo e artesanato estão incluídas no Empreender individual. “Estamos investindo em setores que vão da mineração ao turismo, como o projeto de organização e padronização das barracas em Coqueirinho, no Conde”, exemplificou o secretário executivo do Empreender-PB, Tárcio Pessoa.

Na avaliação do secretário, as políticas públicas voltadas à inclusão social e combate à pobreza necessitam ter a compreensão do público-alvo a ser atingido: baixa renda, informal, com baixa escolaridade e que sobrevivem, em grande parte, por meio de atividades de subsistência. “Assim, é importante se retomar o conceito de economia familiar e, por meio de ações integradas de acesso ao crédito, promover sua inclusão e desenvolvimento”, analisou.

A lei que criou o programa também instituiu o Fundo de Apoio ao Empreendedorismo (FAE), vinculado à Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico, para operacionalizar o Empreender-PB. O Governo do Estado optou pela metodologia baseada no relacionamento direto com os empreendedores no local onde serão executadas as atividades econômicas.


O atendimento ao tomador final dos recursos, conforme disposto no texto da lei 9.335/2011, é realizado por profissionais treinados para efetuar o levantamento sócio-econômico e prestar orientação educativa sobre o planejamento dos negócios. “A orientação também tem como finalidade definir as necessidades de crédito e de gestão voltadas para o desenvolvimento do empreendimento”, acrescentou o secretario.

Os juros dos empréstimos do Empreender-PB variam de 0,38% a 0,9% ao mês. Para participar, o interessado deve se inscrever no site do programa (www.empreender.pb.gov.br) e participar do processo de montagem do plano de negócios. “É fundamental que haja um negócio viável para justificar o investimento”, explicou Tárcio Pessoa.

Empreendedores populares – Lúcia Maria tem 54 anos e sustenta a casa com o dinheiro do artesanato. Para expandir seus negócios, ela adquiriu R$ 1,9 mil do programa estadual e aplicou na compra de material para estocar. As encomendas cresceram. Atualmente, ela trabalha junto com a filha e emprega até três trabalhadores. “Essa época do ano eu já estou recusando trabalho, pois não tem mais como fazer. Já estou lotada”, comemorou.

O orgulho pela arte que faz é expresso a todo instante. “Meu trabalho é lindo”, disse. Ela faz decorações de ambientes em E.V.A. com pintura e detalhes em tinta relevo para escolas, quartos de bebês, festas, entre outros.

Lúcia lamentou que não tinha condições de adquirir empréstimo em instituições bancárias devido ao valor alto dos juros e das parcelas. “Vou pegar o meu carnê do Empreender na próxima semana, mas terei condições de pagar tranquilamente”, destacou, acrescentando que, em 2012, pretende recorrer a novo empréstimo para fabricar kits de decorações para tê-los pronto para a venda. “São muitos os pedidos”.

Para ela, hoje o Empreender-PB é fundamental. “O programa para mim foi maravilhoso, uma benção para a minha vida, pois tive acesso para comprar máquinas e materiais para continuar a crescer minhas vendas”, contou.

O casal Maria Helena Silva de Melo e Rosélio da Silva também veem no artesanato a forma de empreender. Eles fabricam sandálias, porta níqueis, bolsas de diversos tamanhos e cores, chaveiros, carteiras e cintos. A mulher, de expressão marcante e personalidade forte, trabalha com couro desde os 12 anos e aprendeu o ofício com os pais. Ela se orgulha ao revelar que o filho, de também aos 12 anos, já segue o mesmo caminho dos pais. “Todos os chaveiros e presilhas que você ver aqui foi meu filho quem fez”, pontou Maria Helena.

O casal de artesãos conseguiu ampliar a sua produção após conseguir empréstimo junto ao Empreender-PB. “Deu para ter mais material para investir em mais produtos”, explicou a artesão. Para o negócio do casal, a matéria-prima é cara. “Deixamos para pagar o resto das contas depois”, disse.

Nas rendas e nas cores – “Para a renda renascença, primeiro faz o desenho no papel, depois alinha fitas lace, e assim coloca no rolo e vai tecendo até criar o tecido. Não há nós, apenas simetrias”, detalha Núbia Pinheiro, jovem artesã, de 27 anos.

Natural de Monteiro, ela é agricultora e consultora de vendas e presidente da Associação das Artesãs de Monteiro (Assoam) e do Estatuto Social do Conselho das Associações Cooperativas, Empresas, Entidades Vinculadas a Renda Renascença do Cariri Paraibano (Conarenda). Ela é uma das 400 mulheres que integram a Associação das rendeiras do Cariri Paraibano localizada nos municípios de Monteiro (central), Camalaú, Zabelê, São João do Tigre, São Sebastião do Umbuzeiro. “Todas nós trabalhamos com a agricultura e o artesanato. Fomos capacitadas na Associação para trabalharmos com a renda renascença”, contou.

Além de fazer peças lindas de renda, Núbia tem que cuidar da casa. “Nós dividimos o tempo para trabalhar também com a sua arte, que se torna um meio de vida, porque não dá para “viver” só com a agricultura”, explicou. A atividade de rendeira chega a render um incremento no orçamento das donas de casa. Este ano Núbia conheceu Empreender-PB e fez um empréstimo. “Foi uma oportunidade para que conseguíssemos empréstimo recursos com juros insignificantes”. De R$ 100, agora ela ganha R$ 300 com o seu artesanato.

Quem comemorou também foi o artesão Antônio Fragoso, 67 anos, que esbanja alegria por onde passa e encanta a todos ao falar da sua paixão pelo artesanato. “O artesão é um eterno guerreiro e o artesanato é um vício. Quando eu me dedico ao meu trabalho o mundo para, eu esqueço todos os meus problemas”, explicou.

A sua especialidade são as obras “naive”, primitivas casas de taipa, de pau a pique, com tijolos e portas antigas, algumas até baseadas no Centro Histórico de João Pessoa. Ele faz também pequenas fazendinhas, carrinhos, brinquedos, cancelas, igrejas, porta canetas, clipes, tudo de madeira.

Em junho deste ano, Antônio se inscreveu no Empreender-PB. Segundo ele, a renda aumentou em 10%. “Se não fosse pelo programa não teríamos essa beleza toda que a gente está vendo aqui”, disse, apontando para sua arte.

“Dá muita satisfação você ver as pessoas que vem visitar a minha tenda. Só de ver o sorriso delas me dá uma grande alegria, mesmo que elas não venham comprar nada, o importante é o aplauso aquilo que a gente faz por amor”, celebrou o empreendedor.

 

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