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Assistente social adota paciente do Juliano Moreira que morava no hospital

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 - 11:10 - Fotos: 

Mais um paciente abandonado no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira deixou a unidade de saúde e passou a viver em um ambiente familiar. Maria Pereira de Jesus, 60 anos, foi ‘adotada’ pela assistente social do hospital, Gerlane Bandeira da Silva, depois de quase um ano vivendo na unidade. Este é o segundo interno abandonado que deixa o complexo, este ano. Outros 49 pacientes estão de alta médica esperando que um parente ou uma família substituta lhes dêem um lar.

A superintendente do complexo, Clélia Lucena de Andrade Gomes, explicou que a paciente deu entrada no hospital no dia 21 de outubro do ano passado, tendo sido encaminhada pela Secretaria de Ação Social de Santa Rita.  No Juliano Moreira, ela recebeu todo o atendimento médico necessário e participou das atividades de ressocialização.

Em fevereiro deste ano, Maria Pereira de Jesus teve alta médica, mas no prontuário dela não constava o endereço de nenhum parente. Como o Município de Santa Rita também não conseguiu um abrigo para a paciente de alta, a assistente social Gerlane Bandeira decidiu ‘adotar’ a interna e teve a autorização da superintendente do complexo e do Ministério Público, através do promotor do Cidadão Valberto Cosme de Lira. Desde o último dia 16 de setembro, Maria Pereira de Jesus está morando com Gerlane e sua nova família.
 
Vitória contra o preconceito

A superintendente do Juliano Moreira, Clélia Lucena de Andrade Gomes, disse que a atitude representa mais uma vitória contra o preconceito e o estigma para com o portador de distúrbio mental. “Ainda temos 49 pacientes que estão bem de saúde e prontos para viverem em sociedade e fazemos um apelo aos familiares desses internos ou qualquer outra pessoa que venham visitá-los para verem como estão saudáveis e capazes de viver em comunidade”, disse.

Gerlane Bandeira, que desde 1998 trabalha na área de psiquiatria do complexo, disse que sempre levava pacientes para passear, mas que Maria Pereira de Jesus foi a primeira pessoa que ela levou para morar em sua casa. A assistente social contou que a mulher vivia muito só, mas era muito carismática. “Isso me chamou a atenção e fez com eu decidisse adotá-la. Não é justo que uma pessoa abandone um parente num hospital psiquiátrico. Isso é faltar de amor ao próximo, é uma atitude desumana”, enfatizou.

Gerlane Bandeira disse que soube que Maria Pereira de Jesus foi embora com um irmão para o Rio de Janeiro e passou 43 anos fora da Paraíba. “Quando o irmão morreu, ela tinha umas economias e voltou ao Estado em busca de outros parentes, mas não encontrou ninguém. Então, ela alugou um quartinho para morar e quando não tinha mais condições financeiras de pagar o aluguel foi colocada para fora pelo dono do imóvel. Ela passou a morar em um abrigo de pessoas idosas. Abalada por não ter encontrado mais parentes em Santa Rita e por não ter mais condições para sobreviver, ela foi acometida de um problema mental”, contou.

Dona Maria Pereira de Jesus não quis falar sobre o seu passado, mas disse que durante o tempo em que permaneceu no Juliano Moreira foi bem cuidada e recebeu toda a assistência médica. Ela afirmou que está muito feliz em ter encontrado uma família para cuidar dela. “Aqui, em minha casa ela vai ter amor, carinho, respeito e atenção da minha parte e da parte dos meus filhos”, garantiu a assistente social.

        

Assessoria de Imprensa da SES/PB