João Pessoa
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Artesanato quilombola é exposto no Espaço Cultural até esta sexta-feira

quinta-feira, 20 de novembro de 2014 - 19:22 - Fotos:  Vanivaldo Ferreira / Secom-PB

Biojoias, cerâmica, serigrafia, canecas personalizadas e produtos de habilidades manuais podem ser adquiridos até esta sexta-feira (21), na Feira de Cultura Afro-Paraibana, no Espaço Cultural, em João Pessoa. As peças são confeccionadas artesanalmente através de projetos sociais nas comunidades quilombolas de várias regiões do Estado.

O evento integra a programação do Novembro Negro 2014 – Mais Equidade e Menos Racismo, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Mulher e Diversidade Humana, Funesc e Programa de Artesanato da Paraíba. Entre os produtos expostos, o público pode adquirir colares, brincos, pulseiras, camisetas e utensílios domésticos.

Para a artesã e monitora Francieane da Silva, do curso de bijuterias da Casa de Cultura Ile Asé D’Osoguiã, em Paratibe, no bairro do Valentina, em João Pessoa, a oportunidade de mostrar os trabalhos desenvolvidos no quilombo é essencial para a valorização da cultura e apoio da economia local. “Estou no projeto desde o início do ano e tenho a oportunidade de transformar 20 crianças e 32 adolescentes em pequenos e futuros empreendedores. Além deles aprenderem um ofício, eles saem da ameaça das drogas, aprendem sobre história e praticam atividades esportivas como a capoeira”, explicou.

A professora e também artesã, Ana lúcia Rodrigues, mora no Quilombo do Ipiranga, no município do Conde, junto com outras 121 famílias. Exceção entre os moradores que vivem da agricultura e da pesca, a artesã enxergou no artesanato uma nova fonte de renda. “Encontrei na própria natureza elementos essenciais que poderiam virar verdadeiras obras de arte. Por isso, além da minha sala de aula de ensino regular, hoje instruo mais de 50 alunos da comunidade repassando meus conhecimentos artesanais. Nada melhor do que fazer o que se gosta em um ambiente em que amamos morar”, disse.

Já as primas Damiana Rodrigues e Adriana dos Santos, da comunidade vizinha Guruji, no Conde, vivem da agricultura, mas têm na cerâmica um meio de obter mais renda em todas as épocas do ano, inclusive nas edições do Salão do Artesanato. “Fazemos parte da associação ‘Mãe do Barro’ que possui sete mulheres. Quando não tiramos o sustento da roça, nos voltamos para a produção do barro. E assim estamos nos preparando já para as vendas de final de ano”, comemorou a artesã Adriana.

É importante sair da produção e comercialização apenas nas comunidades para ganhar maior visibilidade fora e garantir a sustentabilidade destas famílias. Só na Paraíba possuímos 41 comunidades quilombolas, sendo 37 reconhecidas oficialmente pela Fundação Cultural Palmares do Governo Federal”, acrescentou o gerente executivo de Equidade Racial, José Roberto.

O Núcleo de Formação de Agentes de Cultura da Juventude Negra (NUFAC), em João Pessoa, contribui com ações de políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas na Paraíba. Na Capital, os interessados podem participar de cursos para produção cultural, confeccionador de bijuterias e artesão de biojoias. Os cursos são voltados para jovens que se auto declarem negros e negras entre 15 e 29 anos, residentes nos bairros Planalto Boa Esperança, Gramame, Engenho Velho, Valentina de Figueiredo, Mangabeira, Grotão, Colinas do Sul, Cuiá, Paratibe e Muçumago. Mais informações pelo telefone 3241-9937.