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Artesanato paraibano gera emprego e promove o Estado por todo o mundo

terça-feira, 3 de maio de 2011 - 10:28 - Fotos:  Secom-PB

O artesanato de uma região pode contar a história de um povo, além de preservar suas tradições e identidade cultural. A matéria-prima se transforma pelas mãos talentosas do artista e se converte nas peças que haverão de representar seu povo, sua crença e sua cultura. Foi com este espírito que o programa de incentivo ao artesanato ‘A Paraíba em suas Mãos’, idealizado por Silvia Cunha Lima, em 2003 e coordenado por Ladjane Barbosa de Souza, vem estimulando e gerando emprego e renda para os artesãos paraibanos.

Com a missão de promover o desenvolvimento do artesanato paraibano, o programa – vinculado à Secretaria do Turismo e Desenvolvimento Econômico do Estado da Paraíba – possui mais de 5.400 artesãos cadastrados em 125 municípios do Estado. Segundo a coordenadora do ‘Paraíba em suas Mãos’, a intenção de tornar o artesanato estadual conhecido nacional e internacionalmente, de forma integrada com o turismo, melhorando as condições de vida dos artesãos através da geração de trabalho e renda, preservando as formas de identidade cultural da região, que podem ser transmitidas por processos educacionais às novas gerações, deu certo.

“O programa já recebeu 38 prêmios, com destaque para o 1º lugar na 2ª edição do Prêmio Cultura Viva, na categoria de Gestor Público, promovido pelo Ministério da Cultura, dentre mais de 2.600 concorrentes em todo país, em dezembro de 2007. É através de prêmios como este que temos nosso trabalho reconhecido. Ele oferece visibilidade às práticas culturais que ocorrem em todo o território brasileiro. Levar a Paraíba ao primeiro lugar nos enche de orgulho”, ressaltou Ladjane.

Ladjane Souza revelou ainda que a Paraíba é buscada constantemente por novelistas e galerias de artes de todo Brasil. De acordo com a coordenadora do programa ‘Paraíba em Suas Mãos’, a evolução do artesanato no Estado é evidente. “Dentro desses anos em que começou o programa de artesanato na Paraíba, houve muitas mudanças, tanto na condição financeira dos beneficiados, como na qualidade do artesanato que é produzido. Houve uma evolução. O artesão nasce com o talento e a arte, mas com nossa ajuda, orientação e capacitação, ele melhora e aperfeiçoa suas capacidades manuais. Com o resgate cultural que promovemos mais pessoas se interessam pelo trabalho e isso gera mais renda para a população local”, afirmou.

Antes das ações do Estado, o artesão não tinha acesso ao mercado, nem dispunha de canais que dessem visibilidade à sua arte. Não havia sequer o incentivo ao trabalho coletivo, através da criação de formas associativas. Para o artesão de Sumé, Bento Gouveia, foi a partir das oportunidades geradas pelo programa que sua relação com o artesanato mudou. “Passei a participar de feiras e exposições e tive meu trabalho reconhecido. Antes eu vivia fazendo bicos, hoje, sobrevivo da minha arte”, frisou.

Sucesso na telinha – A mesma história de sucesso é contada por Maritônio Portela, artesão paraibano de Livramento, que hoje mora no Rio de Janeiro e teve várias de suas peças exibidas nas telas da Rede Globo. Conhecido através das iniciativas do ‘Paraíba em suas Mãos’, a guinada na carreira veio a partir da minissérie “A Pedra do Reino”, filmada na cidade de Taperoá, no interior do Estado. “O diretor de arte da Rede Globo, Raimundo Rodrigues, encomendou inúmeras peças para compor o cenário da minissérie. A maior parte das esculturas da Pedra do Reino foi feita por mim”, declarou.

Maritônio já soma no currículo, peças produzidas para três novelas e quatro minisséries na sua lista de trabalhos para emissora. No rol de trabalhos do artesão, Maritônio teve as peças exibidas nas minisséries ‘Capitu’, ‘A Cura’ e ‘O natal do menino imperador’; nas novelas globais, as peças de Maritônio puderam ser vistas através da personagem de Ingrid Guimarães em ‘Caras e Bocas’, no touro do personagem Victor Valentin, interpretado por Murilo Benício em ‘Ti, ti, ti’ e, atualmente, nos cenários do núcleo nordestino da novela das 18h, ‘Cordel Encantado’.

“Atualmente venho trabalhando em peças no estilo barroco para a novela de Gilberto Braga, ‘Insensato Coração’. Já posso adiantar que serão peças muito valiosas na trama, que serão roubadas de um museu na Europa. Outra novidade é minha participação na série de comédia ‘Tapas e Beijos’, com Andréia Beltrão e Fernanda Torres, em que eu confeccionei um Santo Antônio de Madeira que vai dar o que falar”, revelou.

Hoje ele tem diversas peças encomendadas para novelistas e exposições, além de uma obra que deverá ser entregue ao Papa Bento XVI em maio deste ano, encomendada pela Marinha Brasileira. “Já havia feito um trabalho para o Santo Padre, em sua vinda ao Brasil há dois anos, também encomendado pela Marinha. Fiz um Cristo, Nosso Senhor dos Navegantes, que foi entregue. Agora tenho mais um trabalho agendado e estou preparando um relicário de madeira, com duas medalhas de São Bento”, adiantou.

Arte para as telas e passarelas – Além de brilhar nas telas de séries, minisséries, novelas, feiras e exposições, a arte do artesão paraibano também é destaque na moda. O estilista mineiro Ronaldo Fraga, reconhecido internacionalmente, lançou duas coleções marcadas pelo labirinto e o bordado das artesãs integradas ao Programa de Artesanato ‘A Paraíba em suas Mãos’, das comunidades de Chã dos Pereiras, em Ingá e da Associação das Bordadeiras de Alagoa Nova. As coleções, expostas na Feira de Modas de Paris, na França, agradaram ao público.

Destaque também para as peças de algodão ecológico, colorido naturalmente no Estado, desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola), que chamaram atenção na edição primavera/verão 2009 da Prêt à Porter de Paris, a mais importante feira internacional de moda do mundo. Soma-se a isto, o destaque do Estado nas programações de eventos no setor da moda no Brasil, como São Paulo Fashion Week e Fashion Rio.

Abrangência – O programa se estende por todo Estado, atendendo tanto o artesanato contemporâneo das zonas urbanas, como o de tradição, além de assistir aldeias indígenas da Bahia da Traição e Marcação, e a Comunidade Quilombola, na Serra do Talhado, em Santa Luzia, no Sertão paraibano.

O Governo do Estado formou um pacto de parcerias, fruto de uma visão participativa e integrada, conjugando ações capazes de gerar trabalho e renda de forma sustentável, estabelecendo uma sincronia com todos os elos da cadeia produtiva do artesanato: organização, produção, capacitação, promoção e comercialização. Com apoio e parcerias, o programa já levou o artesanato paraibano a todo Estado, para todo Brasil e para mais de 15 países espalhados pelo mundo.

Casa do Artista Popular – Graças a estes esforços, a Paraíba é o primeiro Estado do Brasil a montar um acervo, nos moldes de museu, para mostra de artesanato local. É a Casa do Artista Popular, que tem o professor José Nilton da Silva como presidente da Curadoria do Artesanato. O museu está localizado na Praça da Independência, em João Pessoa. A visitação pode ser feita de terça à sexta-feira, das 9h às 17h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

A Casa do Artista Popular também está promovendo ações dentro da programação da 9ª Semana de Museus, entre os dias 16 e 20 de maio, com a temática ‘Museu e Memória’, com apresentação de palestra ministrada pelo museólogo Henrique de Vasconcelos Cruz, às 14h30, no auditório Juarez da Gama Batista, da Fundação Casa de José Américo.