João Pessoa
Feed de Notícias

Artesanato paraibano é destaque em coleções de confecções no Sul do País

terça-feira, 19 de novembro de 2013 - 16:27 - Fotos:  Walter Rafael / Secom-PB

O ato de transformar a matéria-prima dos fios em peças de um produto bem acabado, por meio de uma produção em série, é o objetivo de confecções do Sul do Brasil, como a Farm e a Animale, que encontraram nas rendeiras paraibanas mão de obra qualificada para inovar o estilo das coleções.

A iniciativa partiu da facilitadora das empresas, a paraibana Linier Pinheiro, que após seis anos morando e produzindo na China, Índia e Indonésia voltou ao Estado para encontrar peças que se enquadrassem no gosto, qualidade e estilo do mercado internacional da moda. “Trabalho com estilistas que me enviam o piloto das peças e tento reproduzi-las junto às artesãs, pois elas tem uma mão de obra qualificada que não deixa a desejar para nenhum outro país. Por isso, quero encontrar aqui artesãs que possam trabalhar em grupos e produzir em série com alta qualidade para que possamos saltar de 70 para 300 profissionais”, destacou.

Há oito meses morando na Paraíba, Linier revelou que já desenvolveu junto às artesãs cerca de 30 mil peças, sendo 26 mil oriundas da Paraíba e 4 mil do Rio Grande do Norte, gerando um montante de mais de R$ 70 mil reais em pagamento para beneficiar cerca de 400 famílias. “Fazemos em torno de 1.200 peças por modelo, pois o mínimo de encomendas é de 800. Agora estamos finalizando mais de 200 peças e já estamos trabalhando a coleção verão de 2015. Estamos montando uma fábrica em Cajazeiras com 300 máquinas e isso é uma geração de emprego e renda enorme. Recentemente já fomos procurados pela marca Colcci que também quer trabalhar conosco”, disse Linier.

As peças pilotos foram confeccionadas em macramê, crochê e rechilieu nos municípios de Campina Grande, Gurinhém, Areial, Alagoa Nova, Fagundes, Araruna, Tacima, Monteiro, São João do Tigre, Cajazeiras, Timbaúba dos Batista e Caicó, sendo estas duas últimas no Rio Grande do Norte.

O trabalho da facilitadora junto ao Programa de Artesanato da Paraíba tem sido o de fortalecer as associações e cooperativas para montar grupos de artesãs que possam atuar em confecções no interior da Paraíba, visando o fortalecimento da produção de roupas e, paralelamente, da divulgação da qualidade do artesanato da Paraíba.

De acordo com a gestora do Programa de Artesanato da Paraíba (PAP), Ladjane Barbosa, as capacitações buscam alavancar a produção e qualidade do artesanato da Paraíba para serem reconhecidos no Brasil e no exterior. “É uma cadeia produtiva. Capacitamos o artesão, buscamos a comercialização dos seus produtos em feiras e eventos e quando a confecção brasileira dá valor à produção manual ficamos muito felizes. A Paraíba é um celeiro de habilidades manuais por meio dos bordados, crochês e renda que, a partir de agora, poderão receber encomendas e escoar a produção, fortalecendo o terceiro setor”, observou, acrescentando que as artesãs precisam de uma produção regular para atender não só clientes individuais, mas também indústrias fortalecendo o orçamento familiar.

A coordenadora do Programa do Artesanato da Paraíba, a primeira-dama do Estado, Pâmela Bório, destacou que há uma relação muito estreita entre o artesanato e o mercado da moda. “Queremos que eles caminhem na mesma direção, pois a partir do momento que as artesãs produzem de acordo com a demanda e o que está sendo vendido no mercado, vamos ampliar a produção, vender mais e ampliar o ciclo. Contudo, o artesanato é uma arte, uma maneira das pessoas expressarem sua cultura e tradições seculares. As pessoas vão continuar identificado esse trabalho e querendo que seja incorporado ao mercado da moda, pois temos muitas artesãs com nível suficiente para produzir em nível internacional”, avaliou a primeira-dama.