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24 de setembro de 2012

Arte nas unidades socioeducativas da Fundac contribui para ressocialização de adolescentes em conflito com a lei



A ressocialização realizada na unidade feminina da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Fundac) chamou atenção durante a Feira do Empreendedor, realizada semana passada em João Pessoa. A professora de Design de Moda, Maura Maldonado visitou o Espaço Economia Criativa e deparou-se com treze telas que ornamentavam o espaço. Depois de saber quem eram os autores, Maura Maldonado concluiu que as autoras são “especiais”.

As pinturas, as quais a professora se referiu, são das adolescentes que cumpriram medida socioeducativa e de outras internas na unidade feminina da Fundação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (Fundac) – a Casa Educativa. “Acho especial que seja dito de onde vem esse tipo de arte. Acho especial trabalhar a arte como educação e sensibilização dessas meninas que precisam de oportunidade para transformar o seu ambiente e a sua vida. São diamantes brutos que, a partir do conhecimento da arte, podem apagar o passado e construir um novo futuro”, refletiu a professora.

As telas das jovens da Casa Educativa estiveram expostas no Espaço Economia Criativa da Feira do Empreendedor, que aconteceu no Forrock na semana passada. Os trabalhos artísticos fazem parte do acervo da unidade da Fundac, resultado das oficinas de artes visuais ministradas pela socioeducadora Lenina Carneiro.

Para as autoras das pinturas, cada obra representa uma conquista. “A gente tem que ter muita paciência, habilidade e criatividade para fazer as telas”, disse C.M.S., 15 anos. O resultado desse esforço é visto com orgulho: “Quando vejo um trabalho meu, dá alegria; me sinto mais eu”, concluiu a adolescente.

Para N.F.A., de 15 anos também, a arte transforma os sentimentos: “Quando eu com raiva, pego papel e fico fazendo peças (de origami) até passar a raiva. Vou fazendo, fazendo e quando vejo saiu um coração, um pássaro”, expressou a jovem. Com a pintura, ela aprendeu a concentração: “Tem que ter paciência para não borrar. É difícil, mas tem que manter o foco”.

Para Lucicléia Felipe, de 18 anos, as oficinas oferecem a oportunidade de uma nova vida. “Quando a gente pintando uma tela, a gente pintando, em nós mesmos, o nosso futuro. Porque cada pincelada que a gente dá é uma forma que a gente coloca naquela tela.”, disse a jovem. “E o que você coloca na tela?”, perguntamos. “Amor, sinceridade e muito carinho”, respondeu Lucicléia.