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Arte contemporânea e metal são destaques no 19º Salão de Artesanato

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 - 09:18 - Fotos:  Walter Rafael/Secom-PB

A arte de unir papel, cola, arame e peças automotivas de ferro velho que antes iam parar no lixo são alguns dos destaques de artesãos que compõem a tipologia das artes plásticas e metais presentes no 19º Salão de Artesanato da Paraíba, aberto desde o dia 19 de dezembro, no Jangada Clube, Praia de Cabo Branco, em João Pessoa.

É impossível passar despercebido pela feira e não se encantar com a beleza dos personagens nordestinos, representados na figura do casal Lampião e Maria Bonita, dos Tropeiros da Borborema, Isabel da Loca e até mesmo da figura da mulher sertaneja com a lata d’água na cabeça em busca de uma cacimba. A diferença é que tudo isso é feito apenas com papel. O trabalho, classificado de “Artesanato Contemporâneo”, é desenvolvido pelo artesão Carlos Apollo, de 47 anos, natural do município de Santa Rita.

Ele iniciou seus trabalhos manuais ainda em São Paulo quando trabalhava em teatros como cenografista. Com a habilidade adquirida, o artesão resolveu voltar para a terra natal onde se descobriu um verdadeiro artista. “Comecei a trabalhar com papel, revista, papelão, jornal, arame, cola, tinta e verniz e fui deixando minha criatividade falar mais alto. À medida que vou criando as peças, os personagens vão aparecendo e ganhando identidade. Hoje, devido a visibilidade que adquiri desde a primeira edição do Salão, consigo sobreviver da minha arte e tenho trabalhos presentes em vários países como Portugal, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, México e até Japão”, lembrou o artesão.

O curador do Programa de Artesanato Paraibano, José Nilton, esteve presente na feira para avaliar o trabalho criterioso dos artesãos que se dedicam durante todo o ano para participarem com produções artesanais qualificadas, garantindo sua inclusão e permanência no Programa de Artesanato.

A curadoria tem um trabalho de classificar as tipologias dos artesanatos presentes, sua matéria-prima empregada, técnica, emissão de carteira do artesão e, mediante critérios estabelecidos de avaliações, passarem a possuir o selo de artesanato com produto original da Paraíba. Para isto, uma comissão será convocada para fazer essa triagem. No entanto, o que temos mais cobrado dos artesãos são a qualidade nos produtos, a criatividade, embalagem e o bom relacionamento com os clientes que já oportunizou muitos ganharem convites para expor independentes em outras feiras fora do Estado”, avaliou o curador Nilton.

A família de Londrina, no Paraná, que estava fazendo um tour pelas cidades litorâneas do Nordeste, se encantou com a diversidade cultural reunida em um só lugar. “A Paraíba nos atraiu pelas belezas naturais, pois lá no Sul não temos nada comparável com aqui. Quando pensávamos que já havíamos visto de tudo soubemos do Salão e viemos até este lugar encantador e não queremos mais voltar para casa. O que nos resta é levar para casa um pouquinho de cada coisa para não esquecer essa terra maravilhosa”, disse a turista Lourdes, ao lado do filho Fabrício e do marido Ossamu.

A médica Cecília e o engenheiro Luiz, de São Paulo, elogiaram a beleza dos painéis temáticos indígenas e a evolução das peças artesanais. “Somos presença garantida todos os anos da Paraíba e, consequentemente, no Salão de Artesanato, mas sempre há o que ver de novo, peças exclusivas, autênticas que nos impressionam não apenas pela beleza, mas pela história cultural que cada uma carrega. Por isso, levamos muita coisa para nós e para os amigos que jamais encontraríamos numa 25 de Março, por exemplo”, brincou a turista.

A arte em metal também é uma novidade presente na feira que tem atraído a atenção dos turistas. O ex-professor de Educação Física, Márcio Pontes, descobriu na oficina mecânica instalada em casa sua habilidade como artesão. Descoberto há apenas seis meses pela curadoria do Programa de Artesanato Paraibano, ele comemora sua primeira participação, que já tem trazido bons frutos. “Já no primeiro dia da feira, em apenas 10 minutos de exposição, consegui vender uma das minhas melhores peças no valor de R$ 15 mil a um colecionador. Trata-se da cabeça de um cavalo feita com restos de correntes de moto, coroas, bielas, caixa de marcha, disco de embreagem e tudo que encontrei na minha sucata. Além disso, tenho outras peças exclusivas decorativas como animais, centauro e até mesmo uma adega de vinho completamente diferente de tudo que já viram”, lembrou o artesão.

Antes da participação no Salão de Artesanato, suas peças estavam escondidas dentro de casa e a cada dia a coleção aumentava como um hobby. “Na brincadeira, como sou apaixonado por motocicletas, fiz minha primeira peça em miniatura e meus amigos elogiaram bastante. Agora recebo elogios e faço contatos com gente de todo lugar do mundo que conheceu meu trabalho aqui no Salão. Só tenho a agradecer a participação neste espaço, já sonhando com novos planos, e pretendo não parar mais”, revelou o artesão Márcio.

Considerado um dos maiores eventos de artesanato do país, o 19º Salão de Artesanato da Paraíba apresenta o tema “Nossa Arte tem Fibra” e destaca trabalhos produzidos em 130 municípios. Com habilidade e inovação, os artesãos apresentam, além das peças em fibra, diversos objetos em madeira, algodão colorido, cerâmica, couro, tecelagem, brinquedo, pedra, metal, osso, cordel, xilogravura e habilidades manuais.

O 19º Salão de Artesanato da Paraíba é uma promoção do Governo do Estado, por meio do Programa de Artesanato da Paraíba, que é vinculado à Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico, sob a coordenação geral da primeira-dama do Estado, Pâmela Bório.

Funcionamento– O Salão funciona diariamente das 15h às 22h, até o dia 26 de janeiro. As exceções são para os dias 31 dezembro, bem como para o dia 1º de janeiro, quando o evento será fechado para as festas de final de ano. A visitação é gratuita.