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Arlinda Marques realiza 324 cirurgias neurológicas em 2014 com redução de custo médio por paciente em 23%

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015 - 17:34 - Fotos: 

O Complexo de Pediatria Arlinda Marques  (CPAM), que integra a rede hospitalar  do Estado, aumentou em 107% os procedimentos cirúrgicos na área de neurocirurgia em 2014 com redução média de 23% nos custos por paciente.  No ano passado, foram realizadas 324 cirurgias neurológicas contra 156 em 2013. Além dos procedimentos cirúrgicos, foram realizados 877 atendimentos ambulatoriais.

Os dados foram apresentados pelo diretor geral da unidade de saúde, Bruno Leandro de Souza, ao afirmar  que o Arlinda Marques  desponta como o maior serviço infantil da Paraíba, com enfoque principal em alta complexidade e destaque para  a área de neurocirurgia infantil.

De acordo com o diretor geral, é importante ressaltar que, além do aumento de procedimentos, houve diminuição dos custos médios por cirurgias em 23%, mesmo sendo introduzidas novas tecnologias como neuronavegação magnética, “que garante resultados cirúrgicos mais precisos e menor índice de sequelas nos pacientes com problemas neurológicos, tais como malformações congênitas e tumores” , explicou Bruno Leandro de Souza.

Ele disse ainda que o Hospital Arlinda Marques foi  o primeiro serviço público de saúde das regiões Norte e Nordeste a investir em  alta tecnologia com redução de custo  e utilizando a prototipagem no tratamento cirúrgico dos pacientes.

Um dos destaques do Serviço Neurocirurgia Pediátrica  foi o de  uma criança com Síndrome de Down que voltou a andar após passar por um procedimento cirúrgico. “Minha filha renasceu. Ela voltou a viver. E o que me deixa mais feliz é ver o sorriso estampado no seu rosto”, comemorou a  agricultora  Odete Maria de Assis, 57 anos.  Ela reside no município de Cajá (Caldas Brandão) e é mãe da adolescente Maria Edlane da Silva, de apenas15 anos de idade.

Odete Maria contou que sua filha nasceu com Síndrome de Down, mas até os 13 anos brincava e estudava como as demais crianças da sua idade. Depois dessa idade, passou a perder os movimentos do corpo e apresentar outros problemas de saúde. Em novembro de 2013, ela foi trazida ao Hospital Arlinda Marques e passou a ser atendida pelo neurologista  Christian Diniz Ferreira, que é chefe do setor.

Ele lembra que a criança chegou ao hospital tetraplégica sem os movimentos dos braços e das pernas e por isso precisava urgente de uma intervenção cirúrgica.  O procedimento realizado foi uma fixação atlanto axial, que teve o objetivo de corrigir a instabilidade das duas primeiras vértebras cervicais (atlas e axis). De acordo com o médico, 60% dos pacientes portadores de síndrome de Down apresentam  frouxidão nos ligamentos, como foi  o caso da adolescente Maria Edlane da  Silva.

Passado todo esse período de avaliação e acompanhamento médico, a criança voltou ao hospital no dia 6 de novembro do ano passado já caminhando e com todos os movimentos dos braços e pernas recuperados.  Depois de feita a avaliação, o médico Christian Diniz Ferreira solicitou um raio X do local da cirurgia e um exame de urina apenas para controle. “Ela está bem, a recuperação está dentro do esperado e a cirurgia foi um sucesso”, comemorou o neurologista. Ele disse ainda que a paciente vai continuar com o tratamento de fisioterapia que é realizado duas vezes por semana na cidade de Mari.

Uma pessoas que acompanhou todo o tratamento da jovem, foi presidente da Associação dos conselheiros e ex-conselheiros Tutelares da Paraíba,  Lenon Jânio Fontes de Sousa. Ele afirmou que para a realização da cirurgia contou com todo apoio do então secretário de Saúde, Waldson Dias de Souza e do diretor geral do Hospital Arlinda Marques, Bruno Leandro de Souza, que, juntamente com toda a equipe médica, não mediram esforços para que o procedimento cirúrgico fosse feito o mais rápido possível.

Que também acompanhou o tratamento  da adolescente foi a psicopedagoga   Teresa Cristina Pallottin, que atua na área de saúde do Conselho Tutelar Região Sul de João Pessoa. Ele enalteceu todo o empenho da equipe médica responsável pela cirurgia como também do apoio que recebeu da direção do hospital. “Estamos todos de parabéns por mais essa vitória que não é só dessa paciente, mas de todos nós, pois não tem nada mais gratificante na vida do que você ver o sorriso estampado no rosto de uma criança” comemorou.  Ela afirmou ainda que sempre tem buscado o apoio do Arlinda Marques quando precisa de atendimento  em todas áreas  para crianças e  sempre foi bem recebida e atendida. “Esse hospital  é um marco na área de atendimento em pediatria”, destacou a psicopedagoga.

Prototipagem Rápida - Outro destaque do Arlinda Marques durante o ano de 2014  é que o Hospital  passou a ser  a primeira unidade de saúde pública  das regiões Norte e Nordeste a realizar a Prototipagem Rápida ou Manufatura Aditivada para procedimentos neurocirúrgicos. O planejamento cirúrgico, por meio da prototipagem rápida, tem por objetivo propiciar intervenções mais rápidas e menos arriscadas, com custos também menores.

De acordo com o professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Rômulo Oliveira, esse procedimento é um processo de construção de modelos físicos da anatomia humana. “Esses modelos são baseados nas tomografias computadorizadas do paciente. Desta forma, os protótipos são individualizados e representam com fidelidade a estrutura anatômica”, explicou.

Ainda segundo o professor, as técnicas de prototipagem rápida são baseadas no princípio de construção de um modelo 3D – camada por camada – e o resultado final é uma cópia em escala real da região anatômica escolhida.

Como exemplo dessa nova técnica cirúrgica, o professor Rômulo Oliveira cita um caso em que uma menina tinha uma escoliose grave. “Produziu-se um modelo 3D, que facilitou a equipe do médico Christian Diniz, chefe do serviço de Neurocirurgia do Hospital Arlinda Marques, a abordar a patologia com conhecimento prévio da anatomia e das nuances que sua equipe iria enfrentar”, afirmou.

O diretor geral do Complexo de Pediatra Alinda Marques, Bruno Leandro de Souza, explicou que essa nova técnica representa mais um avanço na área de alta complexidade e mostra mais uma vez a disposição e a determinação do Governo do Estado em dotar o Arlinda Marques do que há de mais moderno na área de saúde infantil e com isso proporcionar um atendimento com qualidade e mais eficaz às crianças paraibanas e até mesmo de outros estados  que  procuram a unidade em busca de atendimento especializado em pediatria.

“Para nós é uma grande satisfação termos a oportunidade de utilizar a prototipagem na neurocirurgia, tecnologia presente em poucos serviços de neurocirurgia do Brasil,   para realizar as  cranioplastias, (procedimentos realizados para corrigir  falhas ósseas), cranioestenoses (fechamento precoce das suturas), onde planejamos previamente os cálculos e medição dos avanços juntamente com matemático, facilitando o transoperatório e reduzindo o tempo cirúrgico”, comemorou o médico Christian Diniz.

Ele afirma também que com a criação do centro de deformidades faciais e da coluna vertebral, e principalmente na  escoliose, a prototipagem é muito importante para os cirurgiões  estudarem as rotações, cifoses e angulações da coluna, facilitando o planejamento da colocação dos parafusos e dos seus respectivos tamanhos, tendo conhecimento prévio dos pedículos distorcidos anatomicamente pela doença.  “Esse feito deveu-se ao apoio de uma firma privada, juntamente com o LT3D- NUTES-UEPB/CAMPUS I/ Paraíba e Governo do Estado que tornaram possível a realização deste projeto”, finalizou.

Sobre o serviço- OServiço de Neurocirurgia Pediátrica do Arlinda tem o objetivo  de atender a grande demanda paraibana de crianças com patologias neurocirúrgicas. É o único serviço  de referência do Estado da Paraíba para procedimentos neurocirúrgicos pediátricos, recebendo até crianças de Estados vizinhos  com uma  média de 180 procedimentos neurocirúrgicos por ano.

O serviço é composto por uma equipe composta por Neurocirurgiões, cirurgiões pediátricos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, intensivistas neurologistas, neuropsicólogos, pediatras, oncologistas, assistente social primando por um atendimento multidisciplinar e com  uma  estrutura  de alta complexidade,  recursos humanos, físicos e materiais adequados, e com isso o Complexo “ tem ampla condição de oferecer à população pediátrica um atendimento adequado e de qualidade”,  garantiu Christian Diniz Ferreira.

O Serviço de Neurocirurgia Pediátrica do Complexo Pediátrico Arlinda Marques realiza microcirurgia de tumores cerebrais; microcirurgias de tumores medulares, tratamento neuroendoscópico para hidrocefalias e tumores cerebrais; Cirurgia de cranioestenose; Cirurgia para epilepsia, incluindo amígdalo-hipocampectomia seletiva, hemisferectomia, para controle da atividade epiléptica; reeconstrução complexa craniofacial para tratamento de deformidades congênitas ou traumáticas craniofaciais; Intervenção neuroradiológica para malformações arteriovenosas (MAV) e monitorização de pressão intracraniana e oximetria cerebral contínua para as lesões cerebrais.