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4 de setembro de 2009

Arlinda Marques faz 18 cirurgias neurológicas em crianças



Há um mês, a professora Elisabete Monteiro, 38 anos, descobriu que o seu único filho, Gabriel, 8 anos, tinha um tumor na cabeça. “Entramos em desespero e, como não temos plano de saúde, decidimos vender a nossa casa e o carro para pagar as duas cirurgias que ele precisava”, disse. A família não precisou se desfazer dos seus bens, porque o menino foi operado pelo SUS, no Hospital Infantil Arlinda Marques, na Capital, há uma semana. O Governo do Estado montou a equipe médica e equipou o hospital, transformando-o na primeira unidade pública de referência em neurocirurgia pediátrica da Paraíba. Gabriel é uma das 18 crianças atendidas, nos últimos dois meses, quando o serviço foi implantado.

Agora, crianças com tumores cerebrais e de medula, hidrocefalia, fechamento precoce de suturas cranianas e má formação congênita da coluna, têm assistência médica garantida. A dona-de-casa Maria das Dores Domingos da Silva, 27 anos, de Monteiro, contou que levou um susto ao descobrir, há dois meses, que o filho mais novo, Alas, 3 anos, tinha hidrocefalia. O menino se submeteu a duas cirurgias no Arlinda. “Como o tumor estava muito grande, meu filho teve o movimento das pernas comprometido e perdeu a visão, temporariamente, mas o pior já passou. Não quero nem pensar no que poderia ter acontecido se ele não tivesse sido operado logo”, disse.

Direito à vida – Histórias como a de Gabriel e Alas são mais comuns do que se imagina. Segundo o médico cirurgião Christian Diniz, chefe da equipe de neurocirurgia do Arlinda, praticamente todos os dias nascem crianças com doenças neurológicas na Paraíba. A boa notícia é que, agora, esses pacientes podem contar com um serviço público infantil de referência, que não existia no Estado.

Para isso, o Arlinda Marques foi equipado com aparelhos de alta tecnologia. Antes, o único hospital credenciado pelo SUS para realizar os procedimentos, no Estado, era o São Vicente de Paula, que, além de não ser específico para criança e de não possuir a estrutura física ideal para o atendimento pediátrico, não dava conta da demanda, que segundo o neurologista Christian Diniz, é muito grande.

“Agora, a Paraíba tem um serviço completo e eficiente para atender as crianças com patologias do sistema nervoso central. O Arlinda dispõe não apenas da estrutura física necessária para atender os pacientes, mas de uma equipe multidisciplinar, que os acompanham em todas as etapas do tratamento. Isso é muito bom, porque o sucesso das cirurgias depende, também, dos cuidados no pós-operatório”, disse.

Gabriel e Alas já estão em casa, aguardando o resultado dos exames de biópsia dos tumores retirados através das cirurgias. As sete crianças operadas esta semana ainda continuam internadas, mas se recuperam bem. As crianças operadas no Arlinda são acompanhadas, durante todo o tratamento, no ambulatório de especialidades médicas do hospital, que é referência também no tratamento de doenças de alta complexidade, como epilepsia de difícil controle, vasculites cerebrais, inflamação nos nervos e inflamações agudas do cérebro.

 19 crianças esperam cirurgias ortopédicas

O hospital também foi equipado para ser referência em cirurgias cardíacas (desde o dia 11 de agosto foram realizados sete procedimentos) e ortopédicas (com quatro cirurgias realizadas). Matheus Henrique, de apenas 7 meses de idade, foi o quarto paciente a ser operado pelo médico Láecio Vieira, chefe da equipe de ortopedia. Ele nasceu com uma má formação congênita, conhecida como ‘pé torto’. A cirurgia aconteceu no último dia 31 e o menino já recebeu alta. 

“Estou muito aliviada porque, pelo meu município, meu filho só iria conseguir ser operado em maio do próximo ano. A Secretaria Municipal de Saúde disse que não tinha teto financeiro. Como o problema dele estava muito avançado, eu vim ao Arlinda e falei com a direção, que no mesmo dia, autorizou a cirurgia”, disse Joelma Silva, 21 anos, de Juripiranga, no Sertão da Paraíba. Outras 19 crianças serão operadas nos próximos dias.

Segundo o ortopedista, muitas mães, cansadas de correr atrás de atendimento, desistem de procurar assistência para os filhos. “Quando isso ocorre, essas crianças ficam incapacitadas pelo resto da vida, o que é lastimável. Mas nós, como médicos, não aceitamos isso e esperamos reverter esse tipo de situação, a partir de agora, com a implantação do serviço de ortopedia no Arlinda Marques. Queremos dar a essas crianças uma melhor qualidade de vida”, disse o médico.

Além do ‘pé torto’, a equipe de ortopedia está capacitada para realizar cirurgias para correção de luxação congênita do quadril, osteotomias, alongamento e transferência muscular, artrogripose múltipla congênita, paralisia obstétrica e luxação congênita de patela.
Em breve, também serão realizadas cirurgias de mão, coluna e artroscopia, que trata as infecções das articulações e corrige deformidades congênitas ou traumáticas. Para isso, a equipe médica, que hoje é formada por dois ortopedistas pediatras, passará a ter sete profissionais. 

A equipe da neuropediatria é formada por dois neurocirurgiões, dois neuropediatras, um pediatra, um fisioterapeuta, um psicólogo e um enfermeiro. Já a equipe de cardiologia, chefiada pelo médico Maurílio Onofre, conta com cerca de 50 profissionais. 

 Assessoria de Imprensa da SES-PB