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Apicultura vira negócio rentável para agricultores no Sertão paraibano

sexta-feira, 16 de maio de 2014 - 09:58 - Fotos:  Alberi Pontes/Secom-PB

O cotidiano agitado nos grandes centros urbanos impulsionou o retorno do apicultor Geraldo Almeida Pereira à zona rural de São Bentinho, alto sertão da Paraíba, onde descobriu na criação de abelhas e outras atividades do setor primário uma forma para melhorar a renda e desfrutar da tranquilidade do local. De um rendimento mensal de R$ 500,00, o faturamento do negócio que agregou três atividades, entre elas, a apicultura, cresceu para R$ 1.200,00, Hoje, o apicultor tem planos de aumentar o lucro e faturar R$ 2.000,00/mês.

Sem perspectiva de retorno financeiro da lida no setor agrícola por quase 20 anos, Geraldo decidiu pelo que a maioria dos agricultores faz: deixar o campo em busca de alternativas de emprego e renda nas grandes cidades brasileiras que possam assegurar a sobrevivência. Partiu da comunidade Riacho dos Currais em São Bentinho para Brasília onde trabalhou no ramo de hotelaria por 12 anos.

Retornou ao campo há oito anos e não se arrepende do que fez. Novamente com o pensamento de melhores condições de vida e sossego, inicialmente apostou na agricultura de subsistência, depois na criação de gado que lhe dera rendimento com a venda dos subprodutos como a carne e leite, e após uma palestra na cidade vizinha, decidiu investir na criação de abelhas. De forma rudimentar, junto com outros companheiros de jornada, fez economias e conseguiu produzir suas próprias colmeias. “Tivemos que fazer uma ‘vaquinha’ com a finalidade de fabricar nosso material de trabalho”, lembrou.

A produção inicialmente chegou a atingir 1 tonelada de mel. Em 2009, pulou para 2 toneladas, em 2014 com a ajuda do Projeto Cooperar tem a perspectiva de atingir 3 toneladas, e em 2015, caso não tenha seca, faz projeção de produzir 5 toneladas do produto.

Para a Associação Comunitária Rural Riacho dos Currais, da qual o apicultor é membro, o Governo do Estado, por meio do Projeto Cooperar em parceria com o Banco Mundial, destinou R$ 92, 8 mil que deu para investir na construção da Unidade de Extração de Mel da comunidade e compra de insumos necessários ao desempenho da atividade, beneficiando diretamente 20 famílias.

Em toda a Paraíba, a atividade apícola recebeu investimentos do Projeto Cooperar de R$ 2,7 milhões com o atendimento direto a 626 famílias em 26 subprojetos produtivos. Com os recursos, os beneficiários puderam realizar investimentos como a construção de unidades de extração de mel, aquisição de colmeias, equipamentos e materiais para o beneficiamento do produto, capacitação, entre outros.

O coordenador do Projeto Cooperar, Roberto Vital, disse que tendo como foco de atuação a busca pela sustentabilidade, o apoio a apicultura se dá por consequência natural do papel institucional do órgão, por se tratar de uma atividade onde só se instala e prospera onde há equilíbrio ecológico.

Junto com o grupo, o apicultor descentralizou a forma de ganhar dinheiro no campo e atualmente, produz 150 kg de polpa de frutas e 180 kg de bolo por mês que já tem venda garantida para a merenda escolar do município de São Bentinho que é pago com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Voltei para a agricultura com a mente mais aberta para novas possibilidades e isso tem ajudado a projetar perspectivas de outras atividades que possam agregar à nossa renda”, destacou.

Como a prosperidade é sinônimo de lucro, na vida de Geraldo, isso veio em consequência de muito trabalho dispensado em forma de dedicação nos negócios. “O Cooperar veio acrescentar uma melhoria de 60% a 80% na nossa atividade apícola, pois antes trabalhávamos de forma limitada, pacata. Hoje aprendi que não devemos só correr atrás do Governo, mas buscar outras ajudas”, disse.

A Paraíba pretende elevar a produção de mel com investimentos em toda a cadeia produtiva. Anualmente a média produzida é de 500 toneladas/ano do produto e a atividade envolve mais de 1.500 famílias.

O técnico responsável pela Apicultura do Projeto Cooperar, José Estrela de Oliveira, informou quea Apicultura e Meliponicultura é uma atividade rentável para a agricultura familiar. “Nos projetos apoiados pelo Cooperar, esperamos produzir na próxima safra, caso as condições climáticas sejam favoráveis, até 40 kg de mel/colmeia”, destacou.