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Ao longo do tempo, elas conquistaram até o direito de casar, proibido na época da extinta Ancar

sexta-feira, 5 de março de 2010 - 15:42 - Fotos: 

Atualmente elas não são a maioria no quadro funcional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PB) – quase 35% da mão de obra funcional nos 223 municípios – mas adquiriram conquistas ao longo da história dos 55 anos de atividades de extensão rural na Paraíba, entre elas, o direito de casar, pois era pré-requisito a proibição do matrimônio em meados da década de 50 pela então Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural (Ancar) no processo de admissão e permanência na associação.

Hoje, a página desta história foi mudada e para homenagear as servidoras da empresa, a diretoria realiza uma série de atividades, como parte das comemorações pelo ‘Dia Internacional da Mulher’ nesta segunda-feira (8), a partir das 10h no auditório de sua sede na Estrada de Cabedelo.

A assistente social e funcionária aposentada da Emater-PB, Socorro Correia Dias, hoje com 63 anos, vivenciou os momentos de pressão psicológica da Ancar, mas foi a primeira a se rebelar contra este tipo de repressão. Três anos após a sua admissão na associação, ela revelou que apesar de temer pela demissão, em nome do amor pelo marido, casou e desta união nasceram quatro filhos. “No começo da carreira, tinha medo até de usar vestido curto ou decotado, pois também éramos proibidas de vestir ou até mesmo de namorar”, acrescentou.

Regra quebrada – Segundo o diretor geral do Sindicato dos Trabalhadores em Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Sinter-PB), José Gilson Silva Alves, a medida não fazia parte do estatuto da Ancar, mas a diretoria da época cumpria ordens da Associação Brasileira  de Crédito e Assistência Rural (Abcar) que coordenava as cinco associações regionais de assistência rural no Brasil.

A medida era disseminada pelos gestores da instituição de forma verbal que no caso do Norte e Nordeste era cobrada de forma mais intensa, pois predominava o conservadorismo masculino fruto de uma sociedade machista. “Este tipo de medida foi importada pelos Estados Unidos em fazer assistência no campo”, revelou.

Na Ancar paraibana, mesmo após a quebra da regra pelo ato rebelde da extensionista doméstica, função desempenhada por Socorro Correia, a medida ainda durou 20 anos (1955 a 1975) e deixou de ser cobrada com a criação da então Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater) em 1976. “Depois da minha atitude, várias mulheres puderam gozar da liberdade de casar e até namorar”, destacou Socorro.

Ela disse que não sofreu nenhum tipo de punição, mas indiretamente ainda recebeu pressão psicológica quando foi avisada pela diretoria que poderia ser transferida para qualquer escritório da Ancar na Paraíba. “Sofri muito com as pressões, mas queria provar pra eles que nada impedia de desenvolver um bom trabalho. Mesmo com nove meses de gravidez, exercia duras atividades no campo para mostrar a minha aptidão feminina e superar os limites que eles achavam impossíveis para nós”, desabafou.

Já a aposentada Nadir Pinto Vilar foi mais pacata, pois segundo ela, o trabalho era visto de forma prioritária e por isso resolveu esperar quatro anos, tempo de duração do namoro, para casar com o colega, hoje esposo, Leôncio Vilar.

Extensionista social, contadora, administradora, veterinária, bióloga e várias outras funções fazem parte do perfil do exército feminino da Emater, hoje com 468 mulheres. O contingente tem a responsabilidade, ao lado de centenas de homens, da execução das políticas públicas de assistência técnica e extensão rural com o propósito de gerar emprego e renda no campo para beneficiar milhares de agricultores nos 223 municípios paraibanos.

Programação – Para homenagear as mulheres, servidoras da Emater-PB, a diretoria da empresa, Sinter-PB e Sindicato dos Agrônomos, Veterinários e Zootecnistas (Sinavez) prepararam uma programação com o tema ‘Saúde da Mulher’ nesta segunda-feira (8), com palestra, sorteio de brindes, dinâmicas, entre outros, organizada por setores, como a Gerência de Gestão de Pessoas (GGP), Núcleo de Informação, Controle e Avaliação (Nuica), Núcleo de Extensão Social (Nueso), Assessoria de Comunicação (Ascom), Núcleo de Comunicação (Nucom), Setor Social e Setor de Reprografia (Seprog).

Da Assessoria de Imprensa da Emater-PB