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24 de julho de 2013

Antropóloga faz palestrra sobre identidade dos quilombos na sede do Iphaep



A Paraíba possui 35 quilombos catalogados. Entre eles, os mais conhecidos são: o Quilombo de Serra Talhada, nos arredores de Santa Luzia (imortalizado no filme “Aruanda”, de Linduarte Noronha), o de Paratibe (localizado próximo ao bairro de Mangabeira) e o do Bonfim, em Areia (único do estado que se encontra em fase final de regularização territorial junto ao Incra). Mas, no que se diferem e como se aproximam os quilombos de ontem e de hoje? Qual a realidade das comunidades quilombolas e quais as políticas públicas voltadas a esse segmento? Essas e outras perguntas estarão sendo respondidas pela antropóloga e pesquisadora Maria Ester Pereira Fortes, na tarde desta quinta-feira (25), a partir das 15h, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), na Avenida João Machado, 348 – Centro de João Pessoa. A palestra sobre “Etnicidade e Memória: os Quilombos na Paraíba” é aberta ao público e encerra a primeira fase do “Fórum de Ciência e Cultura do Iphaep”.

A professora Ester Fortes vai mostrar que ainda existe a invisibilidade das comunidades quilombolas, por parte da sociedade paraibana, ressaltando, porém, que mudanças começaram a ser efetivadas a partir do Decreto 4887/2003, editado durante o governo Lula. “O grande mérito foi viabilizar, ao menos no papel, o cumprimento do art. 68 do ADCT da Constituição de 1988, contemplando e reconhecendo a realidade contemporânea deste segmento da população brasileira que permaneceu praticamente invisível aos olhos da nação durante toda a nossa história pregressa”, revela a professora. “O Decreto também se pauta no auto reconhecimento e na auto determinação das comunidades como premissa para a sua identificação, tal como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário”, disse.

Além da questão da posse da terra, o quilombola pleiteia, também, o resgate da memória de seus antepassados, trazendo à tona a história de dor e sofrimento pelo qual passaram os negros africanos que, por três séculos, serviram de escravos aos brancos. A antropóloga Ester Fortes diz que, hoje, as comunidades começam a despertar o interesse de historiadores e de cientistas sociais. “O trabalho de regularização dos territórios quilombolas, desenvolvido pelo Incra, também prevê a reconstituição da história dos grupos em que atua. Aos poucos, portanto, na Paraíba, esta história vem sendo escrita; e esta escrita conta com o testemunho e a participação das pessoas que a vivenciaram”. Ela comenta que a AACADE mantém um blog na rede com informações e bibliografia atualizada sobre o tema dos quilombos. Para ver o trabalho é só acessar: http://quilombosdaparaiba.blogspot.com.br/.

O Fórum – A palestrante desta quinta-feira, do “Fórum Cultura e Ciência do Iphaep”, Maria Ester Pereira Fortes, é paulista, graduada em Ciências Sociais e mestre em Antropologia Social pela Unicamp. Servidora do Incra desde 2006, ela vem atuando na regularização de territórios quilombolas na Paraíba.

Segundo o coordenador do evento, antropólogo Carlos Alberto Azevedo, a série “Etnicidade e Memória” abordou, nas três sessões iniciais, as seguintes etnias: ciganos, o povo potiguara e, por último, o território quilombola na Paraíba. Ele explica que, “no mês de agosto, suspenderemos as atividades, retornando as discussões somente na última quinta-feira de setembro, com a série “Antropologia & Memória”, onde destacaremos o papel dos griôs, ou seja, os mestres da tradição oral que divulgam a pedagógica griô no Vale do Gramame; uma área rica em diversidade cultural”.