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Anel do Cariri: Maior obra viária do Estado vai transformar cidades e diminuir distâncias

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 - 19:02 - Fotos: 

É no Cariri paraibano a região onde há o menor número de rodovias pavimentadas do Estado. São homens, mulheres, famílias inteiras que já não tinham esperança de uma vida melhor e passaram a planejar um futuro diferente a partir do “Anel do Cariri”, considerada a maior obra viária da Paraíba, com 204 km de extensão, que vai interligar as cidades de Monteiro, Zabelê, São Sebastião do Umbuzeiro, São João do Tigre, Camalaú, Congo, Caraúbas, São Domingos do Cariri, Cabaceiras, Boqueirão e Queimadas.

Seis destas cidades terão pela primeira vez acessos asfaltados. Sairão do isolamento para se integrar à malha rodoviária pavimentada. São incontáveis as pequenas revoluções sociais que esta rodovia trará para uma população de mais de 120 mil habitantes das dez cidades do Cariri Paraibano.

Só quem precisa trafegar diariamente pelos acessos quase intrasitáveis sabe da importância da pavimentação para a integração e desenvolvimento do Cariri. Sabe o que significa para as cidades que serão interligadas e os desafios e dificuldades para construí-la. Mas são poucos os que conhecem o que ela realmente representa para aqueles cidadãos anônimos que vivem às suas margens. O Anel do Cariri vai proporcionar qualidade de vida, cidadania e a garantia de um dos direitos mais fundamentais do homem, o de ir e vir.

Durante décadas os moradores do Cariri passavam horas para se deslocar, pois os acessos impiedosos de barro e areia faziam das distâncias obstáculos quase intransponíveis. Essas pessoas, que viveram desassistidas do poder público durante muitos anos, vão finalmente conhecer o progresso ter nova vida, resgate da cidadania e a certeza de sonhar com dias melhores.

O socorro chega mais rápido

No período de chuva na cidade de Camalaú era quase impossível socorrer os doentes. Dona Lindalva, disse que viu muitas vezes as pessoas serem transportadas de barco. “Quando o rio enche ficamos praticamente ilhados. Há dois anos a situação foi tão grave que os doentes eram levados de barco, um sofrimento. Essa obra vai ligar não só as cidades da Paraíba, mas de Pernambuco também. Nossa vida vai melhorar muito, o socorro vai chegar bem mais depressa”, comemorou a professora.

A poucos quilômetros da casa de Lindalva, na cidade do Congo, mora agricultor Cícero Barbosa. Ele também comemorou a chegada do Anel do Cariri. “Temos uma pequena propriedade, vou e volto várias vezes por dia, com essa estrada o caminho vai ficar muito melhor. O sonho dos agricultores do Cariri é ver sair esse asfalto, que escuto falar desde os anos 70. Até minha propriedade já valorizou e tenho certeza que vai valorizar ainda mais, graças a Deus!”, disse o agricultor.

Vidas transformadas

São muitas as histórias encontradas ao longo do Anel do Cariri. A maioria delas mostra o quanto a vida das pessoas vai mudar a partir da pavimentação. A rendeira Irideusa Freitas, que mora em São João do Tigre, acredita a chegada do ‘asfalto’ vai ajudar na venda das peças. “Aqui é muito isolado, as pessoas não conseguem chegar, muita terra, muito barro, isso dificulta nossas vendas. Isso tudo vai mudar quando o asfalto chegar, se Deus quiser!”, comentou a rendeira.

O eletricista Rodolfo Simões, da cidade de São João do Umbuzeiro, falou que a interligação das cidades vai trazer melhoras significativas no trabalho que desenvolve. “Quando o rio sobe passo duas horas para poder chegar nas cidades, tenho que ir pela cidade de Pesqueira, em Pernambuco, com a pavimentação o trajeto que faria em duas horas será feito em 20 minutos, vai facilitar não só o meu trabalho, mas a vida das pessoas que precisam dos nossos serviços”, adiantou o eletricista.

Para formar o anel de ligação serão pavimentados nove trechos dentro do projeto original. Dos 204 km, 151 serão de primeira pavimentação e 53 de restauração. Será pavimentada também uma rodovia que não integra o anel, mas que também é fundamental para a região: a PB-214, com 16,1 km, que liga o município do Congo à divisa com Pernambuco. Esse trecho é muito usado por comerciantes que fazem negócios com as cidades Toritama, Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe.

O investimento de R$ 100 milhões tem o objetivo de dotar o cariri de uma obra de infraestrutura que promova o desenvolvimento da região. A previsão é que a obra seja concluída em ano e meio.

Agricultura e fábricas – Luriorlando Bidô da Costa, funcionário público que mora em Monteiro, acha que o maior benefício do Anel do Cariri será a agilidade no escoamento da produção agrícola da região.

Já Braz Gonçalves, que mora no Congo, espera que a integração rodoviária estimule a instalação de pequenas fábricas de confecção na cidade que vive, já que a obra vai garantir viagem mais rápida até Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, polo comercial de confecções.

O prefeito de Ouro Velho, Inácio Júnior, acredita que o anel rodoviário auxiliará não só no setor agrícola, mas também trará benefício para os setores turístico – facilitando a chegada de visitantes durante as festas tradicionais – e de saúde, porque vai tornar mais rápido e seguro o transporte de doentes entre as cidades.

 

Benefício para

120 mil pessoas

11 cidades

 

A malha

• Zabelê/São Sebastião do Umbuzeiro – pavimentação de 13 km

• São Sebastião do Umbuzeiro/São João do Tigre – pavimentação de 20,4 km

• São João do Tigre/Camalaú – pavimentação de 23,7 km

• Camalaú/Congo – pavimentação de 16,1 km

• Congo/Caraúbas – pavimentação de 20,8 km

• Caraúbas/São Domingos do Cariri – pavimentação de14 km

• São Domingos do Cariri/Cabaceiras – pavimentação de 27 km

• Cabaceiras/Boqueirão/Queimadas – restauração de 53 km

• Congo/divisa PB-PE – pavimentação de 16,1 km