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“Amamentação e trabalho” é tema de Semana Mundial de Aleitamento Materno

segunda-feira, 3 de agosto de 2015 - 18:01 - Fotos:  Ricardo Puppe

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, realiza até o dia 7 de agosto a Semana Mundial de Aleitamento Materno (Smam), que este ano tem como tema “Amamentação e Trabalho – para dar certo o compromisso é de todos”. Diversas atividades nas maternidades e serviços vinculados estão na programação, como palestras e cursos, por meio da Rede de Bancos de Leite do Estado, além de distribuição de material educativo.

A maioria das mulheres atualmente trabalha fora de casa, formal ou informalmente. As que trabalham de maneira informal, não têm direito à licença maternidade de quatro ou seis meses. É nesse aspecto que entra a preocupação de como o processo de amamentação continua. “A amamentação não é apenas um fator biológico. O processo envolve, também, questões sociais, culturais e históricas. A inserção da mulher no mercado de trabalho é um ponto importantíssimo. Desde o início do século XX, quando as mulheres começaram a trabalhar também fora de casa, as mães têm a necessidade de deixar seus filhos e procurar maneiras de continuar alimentando os bebês”, informou a diretora geral do Banco de Leite Anita Cabral, Thaíse Ribeiro.

O Ministério da Saúde orienta que a mulher alimente seus filhos exclusivamente com o leite do peito e muitas mães se preocupam porque precisam voltar a trabalhar antes que desse período. “Aconselhamos que estas mães façam o estoque exclusivo do leite no período de licença maternidade, procure o Banco de Leite para pasteurizar e garantir a validade desse leite por seis meses”, orientou Thaíse.

O processo para estocar o leite é simples. “A mãe só precisa telefonar para o Banco de Leite Anita Cabral (083) 3215-6047 e dizer da sua vontade de estocar o leite para continuar alimentando seu bebê mesmo enquanto estiver trabalhando. Solicitamos alguns exames, depois fazemos o cadastro da mãe, que fica sinalizada como doadora exclusiva e o leite fica separado para seu bebê”, disse Thaíse.

A médica Thayanne Magalhães é doadora exclusiva há cincos meses. “Aos quatro meses de vida do meu bebê, me programei para começar a estocar o leite. Entrei em contato com o Banco de Leite Anita Cabral e já na semana seguinte a equipe veio na minha casa pegar o leite para começar a doação exclusiva”, contou. “Assim que ele completou sete meses comecei a trabalhar e até hoje, com nove meses e meio de vida, ele se alimenta exclusivamente de leite materno. Continuo dando o peito para meu filho, mas trabalho em esquema de plantão e, com a possibilidade de pasteurizar o leite, posso ficar tranquila, pois ele está sendo bem alimentado enquanto estou fora de casa”, disse Thayanne.

Já Lídia Cristina é dona de casa e disse que o processo de amamentação tem sido muito tranqüilo. “É um prazer enorme amamentar meu filho. Gabriel tem dois dias de vida, ainda estamos em observação, e a equipe da Maternidade Frei Damião tem me ajudado muito! Através das orientações, sei que o aleitamento é a maneira mais eficaz de nutrir meu bebê. Vou fazer o que estiver ao meu alcance para amamentá-lo exclusivamente, no mínimo, até seus seis primeiros meses de vida”, disse.

A Semana Mundial de Aleitamento Materno é considerada um veículo de promoção, proteção e incentivo ao aleitamento materno e acontece simultaneamente em 120 países, tem como objetivo incentivar melhorias das condições de trabalho da mulher trabalhadora que amamenta na própria instituição, como por exemplo, criando Salas de Apoio à Amamentação, a extensão da licença maternidade paga de 120 para 180 dias, criação de creche no local de trabalho da mulher quando necessário, entre outros.

Aleitamento materno – O leite materno oferece à criança a energia calórica e macronutrientes (como proteínas, carboidratos, lipídios, sais minerais, potássio, fósforo e cálcio) necessários para o funcionamento e nutrição do organismo humano. No entanto, pelos fatores imunológicos que apenas o leite humano oferece, ele age no organismo como um fármaco, trazendo melhor qualidade de vida e proteção contra doenças e infecções que podem vir a acontecer durante a permanência do prematuro em unidade neonatal.

“Cerca de 90% das mulheres estão preparadas para amamentar seus filhos. Fatores emocionais, stress, cobrança da família e pressão psicológica podem afetar a produção de leite”, disse a pediatra da Maternidade Frei Damião Michele Moura. Segundo ela, a amamentação é fundamental para mãe e bebê. “O vínculo emocional entre mãe e bebê começa a partir da amamentação. Além disso, é comprovado cientificamente que não existe alimento melhor para o recém nascido do que o leite materno. Não podendo esquecer, ainda, que, para a mãe, é uma maneira de prevenir o câncer de mama”, alertou a pediatra.

O medo e a vergonha de amamentar em público são dois fatores importantes que precisam ser trabalhados. “O apoio da família e dos profissionais desde o período de pré-natal é essencial. A abordagem da equipe multidisciplinar, falando sobre os benefícios e a importância da amamentação é imprescindível. O desconforto e o receio existem no início, é normal, mas o prazer de ver seu filho crescendo saudável é muito maior”, afirmou Michele Moura.

A iniciativa MTA – Mulheres Trabalhadoras que Amamentam é formada por técnicos capacitados para promover, apoiar, orientar e supervisionar a implementação de salas de apoio no setor público e privado e motivar os empresários e gestores para a adesão ao programa Empresa Cidadã, que atende a três eixos (prorrogação da licença-maternidade de 120 para 180 dias mediante concessão de incentivo fiscal, a criação de salas adequadas de amamentação nas empresas e a criação de creches dentro das próprias empresas ou o oferecimento do auxílio-creche).

“Na Paraíba, a meta atingida em 2014 foi a implementação de cinco salas de apoio à amamentação, dentre essas as primeiras que receberam as placas por representante do MS foram a Empresa Indaiá, a Maternidade Frei Damião, o Instituto Cândida Vargas, o Hospital da Unimed e Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, sendo esse o primeiro Hospital do Brasil de emergência a contemplar uma sala de apoio à amamentação, conferindo dignidade a suas trabalhadoras e acompanhantes que porventura estejam no período de lactação”, disse Thaíse.

Ainda segundo Thaíse, a meta para 2015 é a implementação das Salas de Apoio nos Hospitais ISEA (Campina Grande), Hospital Geral de Mamanguape e no Instituto Hospitalar Edson Ramalho. “Dados revelam que o trabalho fora de casa dificulta ou leva a interrupção da amamentação. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 34% das mães brasileiras, que voltam ao trabalho, deixam de amamentar, mesmo recebendo todos os benefícios trabalhistas da Constituição Brasileira de 1988 (Licença 120 dias, licença paternidade de 5 dias, etc),  a maior parte das mulheres trabalhadoras formais desmamava antes de voltar ao trabalho. No entanto, é possível conciliar vida profissional e amamentação, desde que o local de trabalho faça a sua parte”, concluiu Thaíse Ribeiro.

Aumento da coleta – Entre os fatores que contribuíram para que a Paraíba conquistasse a maior rede de coleta de leite materno do Nordeste está o aumento da captação. Em 2010, foram coletados 4,7 mil litros e, em 2014, aumentou para 7 mil litros, além do número de crianças beneficiadas que aumentou de 5 mil para 11 mil. Ainda teve um acréscimo na quantidade de doadoras, de 4,5 mil para 6,5 mil.

Com todo esse investimento, a Paraíba conseguiu reduzir a mortalidade infantil em 80,44%, segundo dados do IBGE divulgados em 2013, cumprindo, assim, o quarto dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU).