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Alianças produtivas: um novo modo de fazer negócios na agricultura da Paraíba

quinta-feira, 3 de setembro de 2015 - 11:41 - Fotos: 

Uma linha de financiamento denominada Alianças Produtivas que vai ser executada em novo convênio entre o Projeto Cooperar e Banco Mundial deve alavancar a venda da produção em negócios previamente acordados entre vendedor e comprador. O algodão orgânico da Paraíba, por exemplo, poderá se tornar um exemplo de Aliança, já que a demanda por esse tipo de produto desperta grande interesse da indústria têxtil nacional e internacional, segundo a Embrapa Algodão que recebeu neste ano a manifestação de compra de quase dez empresas no ramo, entre elas, a Organic Cotton Colours da Catalunha, comunidade autônoma da Espanha.

De acordo com Odilon Reny Ribeiro, supervisor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Algodão, para isso acontecer, o Cooperar ou outro órgão do Governo do Estado precisa replicar o Projeto Algodão e Cidadania, realizado no Assentamento Margarida Maria Alves, em Juarez Távora, onde a verticalização da produção agroecológica permite abastecer parte do mercado de preço justo (fair trade) através de contratos prévios com os agricultores, garantindo a venda da produção. “Esta experiência pode ser adotada em especial nas áreas de assentamentos. A Paraíba tem 15 mil famílias assentadas, boa parte sem um produto de renda certa”, assegurou.

Para o técnico da Embrapa Algodão, Dalfran Gonçalves, o nicho do algodão orgânico tem uma forma de cadeia produtiva diferenciada do algodão convencional. Enquanto o algodão convencional faz parte do comércio comum e os valores alcançados dependem do mercado internacional, o algodão orgânico é tratado dentro dos padrões do Mercado Justo, onde os preços são negociados, in loco, entre os empresários, ou representantes desses e os agricultores. Com isso, o nicho de mercado se torna fechado e diferenciado. “Não se encontra tecidos nas lojas têxteis e isso acontece devido ao contrato antecipado onde cada empresa tem seu grupo de produtores”, lembrou.

Segundo a Embrapa, o algodão colorido ou variedades de fibra longa na cor branca desenvolvidas pela empresa são as que mais têm interessado as empresas de mercado justo, em busca de produtos orgânicos ou sustentáveis e optam pelo algodão paraibano, por ser produzido pela agricultura familiar com alto valor agregado, pois respeita as regras do mercado de preço justo que busca a sustentabilidade ambiental, o respeito às relações sociais e trabalhistas adequadas ao perfil dos agricultores e do mercado.

Os municípios que se destacam na produção, segundo a Embrapa, são Gurinhém e Juarez Távora, onde este último município conta com 23 hectares associados a áreas de outros municípios. Num total, se estima a ocupação de 50 hectares na Paraíba. “A produtividade média é de uma tonelada/hectare onde vai ser possível colher em torno de 20 toneladas de fibra de algodão orgânico”, adiantou Odilon Ribeiro.

Como funcionará – As Alianças Produtivas farão parte do componente 3 do PB Rural Sustentável, projeto em fase de finalização que vai ser executado pelo Cooperar e Banco Mundial e vai financiar subprojetos (obras, bens e serviços) de organização de produtores familiares incluídos em planos de negócios previamente acordados com compradores.

O financiamento desse componente será direcionado aos produtores individuais e associações com o objetivo de alcançar as especificações do mercado (quantidade, qualidade, entrega), pré-estabelecidas nos acordos de comercialização.