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28 de junho de 2012

Agricultor familiar de Caiçara é modelo de convivência no semiárido



A região semiárida sempre suscitou a busca de alternativa para a sua sustentabilidade e sobrevivência das famílias que optaram morar ali. Do município de Caiçara, localizado nas proximidades de Guarabira, vem o exemplo de um agricultor familiar que se constitui numa saída racional, mesmo em face das prolongadas estiagens como a que tem se verificado neste ano.

Assessorado pelo escritório da Emater em Caiçara, município localizado na regional de Guarabira, o agricultor Geraldo Matias, do sítio Cajazeiras, é um modelo que deve ser seguido por outras famílias. Para mostrar as potencialidades da produção diversificada em uma área de 9,5 hectares, técnicos da Emater de cidades vizinhas e agricultores estiveram na semana passada conhecendo o trabalho dele.

Depois de passar 10 anos trabalhando na agricultura no Estado de Goiás, Geraldo Matias retornou à Paraíba e com as economias financeiras comprou uma casa no município de Caiçara. Ele trabalhava nas fazendas da região, até que, aconselhado pela Emater, vendeu a casa e comprou o sítio Cajazeiras, um lugar ermo e abandonado.

Segundo o agricultor, quando parecia impossível a sobrevivência nas terras do sítio, devido ao estado de degradação da área, tudo se modificou, graças ao trabalho da extensão rural, tendo à frente o técnico Ednardo Medeiros Pessoa. “Uma década depois dos investimentos, o sítio se tornou um paraíso”, disse Geraldo.

O extensionista rural Ednardo Pessoa explicou que o agricultor segue as orientações técnicas, o que tem garantido bons resultados. Geraldo Matias deixa a palha seca para enriquecimento do solo e mantém pequena reserva de mata, sempre fazendo replantio de mudas. “Interessante, que tudo isso numa pequena área de terra”, comentou.

Na área, cheia de declives e maçarocas, o agricultor construiu uma cisterna e barragem subterrânea que garante o armazenamento de água no subsolo por todo o ano, cultiva frutas e verdura, feijão, milho, batata-doce, inhame, macaxeira, além de um plantio de capim para alimentar as oito rezes, um cavalo e um jumento, como também galinha de capoeira e porcos. Ele também trabalha com apicultura. “De tudo temos um pouco, que serve para alimentação da família e venda do excedente”, explicou.

Geraldo comercializa parte da produção para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o que garante uma renda extra, como também leva para as feiras livres em cidades da região. Sobre os resultados que vem obtendo, o agricultor disse que está valendo a pena morar no campo, apesar das dificuldades, principalmente quando há uma assistência técnica continuada.

Agricultores de outros municípios também foram conhecer o trabalho de Geraldo, que já vinha chamando a atenção de vizinhos com os quais troca experiências e estimula a fazer o mesmo.  O produtor rural Geraldo Alfredo Fernandes, do sitio Camuca, no município de Belém, com 22,5 hectares, afirmou que é um método proveitoso e serve de exemplo para outros vizinhos.

“Isso é uma demonstração de que outras famílias também podem fazer o mesmo em suas propriedades, mesmo que sejam pequenas”, afirmou o coordenador regional da Emater em Guarabira, José Alexandre Marques da Fonseca, recomendando que os extensionistas ali presentes levassem aos agricultores familiares dos municípios onde atuam, o modelo de trabalho daquele produtor rural. Os trabalhos têm o acompanhamento do chefe do escritório da Emater em Caiçara, Aldomar Lucena Costa.

A barragem subterrânea construída no sítio tem garantindo o cultivo das hortaliças, o abastecimento de água e capim para alimentação do rebanho. O objetivo da barragem é captar a água da chuva que escoa na superfície para dentro do solo através de uma parede construída transversalmente com relação à direção das águas.