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Ações preventivas e educativas marcam Dia Mundial de Combate a Aids

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 - 11:49 - Fotos:  Walter Rafael/Secom-PB

A dona de casa Maria Gorete Moura, 57 anos, que mora no município de Jacaraú, foi uma das primeiras pessoas a fazer o teste rápido para o diagnóstico de várias doenças como aids,  hepatite e sífilis na manhã desta segunda-feira (1º), no Hospital de Doenças Infectocontagiosas Clementino Fraga.  Ela contou que faz tratamento de outra doença na unidade de saúde, mas aproveitou o momento para fazer o exame. “A prevenção é sempre o melhor caminho”, destacou. A ação faz parte das atividades alusivas ao Dia Mundial de Combate a Aids, que estão sendo realizadas desde domingo (30) pelo Clementino Fraga, quando cerca de 400 pessoas fizeram o teste rápido na praia de Cabo Branco e participaram de outras ações de caráter educativo.

Quem também fez o teste rápido foi o agricultor Manoel Inácio da Silva, 53 anos, que mora no município de Juripiranga. “Eu sempre venho aqui no Clementino fazer consultas e exames porque gosto muito do atendimento e hoje resolvi também fazer esse teste porque somos humanos e estamos sujeitos a pegar doenças”, destacou o agricultor. Ednalva Ribeiro da Silva, 30 anos, mora no município de Santa Rita e sempre vem ao Clementino Fraga  fazer consultas na área de infectologia e agora aproveitou para fazer o teste rápido, “pois acho que a gente deve procurar se cuidar e se  prevenir”, justificou.

A diretora geral do Clementino Fraga, Adriana Teixeira, disse que a ação realizada na manhã do domingo na Praia de Cabo Branco foi um sucesso. “Tivemos atividades de caráter educativo e preventivo e as pessoas foram receptíveis com a equipe e hoje estamos repetindo as mesmas ações aqui no hospital”, destacou a diretora.

Ela lembrou que o hospital cuida de diversas doenças infectocontagiosas, mas o importante é prevenir. “E é por isso que as nossas ações nesse sentido vão além do hospital”, completou.  Adriana Teixeira lembrou que, por meio do Projeto Clementino Itinerante, o atendimento tem sido feito em assentamentos, aldeias indígenas e outras comunidades. “Muitas vezes as pessoas que moram nesses locais têm dificuldades de procurar e de chegar até um serviço de saúde, então nós resolvemos ir até elas”, destacou a diretora.

Teste Rápido de HIV – Os testes rápidos são realizados a partir da coleta de uma gota de sangue da ponta do dedo. O sangue é colocado em dois dispositivos de testagem e, para chegar ao resultado, o profissional que realiza o teste segue um fluxo determinado cientificamente. Se os dois dispositivos tiverem os mesmos resultados, o diagnóstico já é fechado. Porém, se houver discordância entre os resultados, é feito outro teste com um terceiro para confirmação. Assim, o resultado tem a mesma confiabilidade dos exames convencionais e não há necessidade de repetição em laboratório.

Esse método permite que, em apenas meia hora, o paciente faça o teste, conheça o resultado e receba o serviço de aconselhamento necessário. Distribuído gratuitamente para serviços de saúde da rede pública, esse teste rápido é utilizado na maior parte das ações do ‘Fique Sabendo’, do Departamento de DS, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, principalmente devido a sua agilidade e praticidade.

Quem e quando fazer – O teste de aids não deve ser feito de forma indiscriminada. O aconselhável é que quem tenha passado por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido, faça o exame.

Após a infecção pelo HIV, o sistema imunológico demora cerca de um mês para produzir anticorpos em quantidade suficiente para serem detectados pelo teste. Por conta disso, o mais aconselhável é que se faça o exame após esse período.

O HIV pode ser transmitido:

• Por relações sexuais desprotegidas (sem o uso do preservativo), anais, vaginais e orais;

• Pelo compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas;

• De mãe para filho durante a gestação, o parto e a amamentação;

• Por transfusão de sangue

O HIV não é transmitido pelo beijo, toque, abraço, aperto de mão, compartilhamento de toalhas, talheres, pratos, suor ou lágrimas. Portanto, toda pessoa soropositiva pode e deve receber muito carinho e atenção.

Porque fazer o teste – Ter um diagnóstico positivo do HIV precocemente permite que o paciente comece o seu tratamento no momento certo e tenha uma melhor qualidade de vida. Além disso, mães soropositivas podem aumentar suas chances de terem filhos sem o HIV, se forem orientadas corretamente e seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto.

Onde fazer o teste – Os testes para detectar o vírus HIV são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sigilosa e gratuitamente nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), que são unidades da rede pública. Laboratórios da rede particular também realizam estes testes.

Ao receberem o resultado, os pacientes passam por um processo de aconselhamento, feito de forma cuidadosa, com o objetivo de facilitar a interpretação do resultado pelo paciente.

De acordo com Adriana Teixeira, Aids ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença infectocontagiosa causada pelo vírus HIV – Human Immunodeficiency Vírus, que leva à perda progressiva da imunidade. “A doença na verdade é uma síndrome que caracteriza-se por um conjunto de sinais e sintomas advindos da queda da taxa dos linfócitos CD4, células muito importantes na defesa imunológica do organismo. Quanto mais a moléstia progride, mais compromete o sistema imunológico e, consequentemente, a capacidade de o portador defender-se de infecções”,  explicou.

Dados – Esse ano de 2014 foram registrados 206 casos de aids, sendo 152 casos em pessoas do sexo masculino e 54 casos em pessoas do sexo feminino. O Hospital Clementino Fraga éreferência em HIV/Aids em João Pessoa, que tem ainda um serviço especializado para gestantes HIV positivas. Em Campina Grande tem o Hospital Universitário Alcides Carneiro  e o Hospital Universitário Lauro Wanderley. Além desses, existem os serviços de Atendimento Especializado (SAE) Em Cabedelo, Santa Rita, Campina Grande e Patos.

Os dados apontam também que entre as mulheres não existe uma faixa etária bem definida e que a doença vem contaminando mais homens com idades entre 40 e 49 anos. A incidência é maior entre homens heterossexuais por excesso de confiança. Hoje, em virtude da qualidade do tratamento, o portador do vírus possui uma qualidade de vida melhor em relação à década de 80.

“Durante um período, falava-se que apenas homossexuais, usuários de drogas e profissionais do sexo estavam vulneráveis, mas isso mudou. Hoje, qualquer pessoa pode passar por uma situação de risco: profissionais de saúde que podem sofrer acidentes com material perfuro-cortante, um estupro praticado por criminoso contaminado e uma relação sexual sem camisinha são exemplos disso”, comentou Adriana Teixeira.

Símbolo – O laço vermelho é considerado símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a aids. O projeto do laço foi criado em 1991, pela Visual AIDs, grupo de profissionais de arte, de New York, que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo de aids.

Além da versão oficial, existem quatro versões sobre sua origem. Uma delas diz que os ativistas americanos passaram a usar o laço com o “V” de vitória invertido, na esperança de que um dia, com o surgimento da cura, ele pudesse voltar para a posição correta. Outra versão tem origem na Irlanda. Segundo ela, as mulheres dos marinheiros daquele país colocavam laços vermelhos na frente das casas quando os maridos morriam em combate.