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30 de julho de 2009

A idéia é padronizar o serviço. Participam profissionais do SUS e vinculados à rede privada



Começou nesta quinta-feira (30) em João Pessoa, o I Fórum Estadual do Diagnóstico Bacteriológico da Tuberculose para profissionais da rede do Sistema Único de Saúde ou rede SUS. O evento – que prossegue nesta sexta-feira (31), no Hotel Xênius, no bairro do Cabo Branco – tem como principal objetivo traçar metas e ações para agilizar o diagnóstico da doença na Paraíba, fazendo com que o resultado do exame saia em 24 horas, como determina o Ministério da Saúde (MS).

De acordo com dados do Sistema Nacional de Agravos e Notificações (Sinam), no ano passado a Paraíba notificou 1.069 novos casos de tuberculose. No primeiro trimestre de 2009 foram 283 novos casos.

Antecipando o resultado – Cerca de 150 profissionais das 12 Gerências Regionais de Saúde do Estado que trabalham com o diagnóstico da tuberculose estão participando do evento. “Além dos profissionais dos laboratórios da rede SUS, nós convidamos também os profissionais dos laboratórios particulares, para que possamos padronizar esse serviço”, explicou Dinalva Soares de Lima, do Setor de Microbactérias do Laboratório Central do Estado (Lacen).

Normalmente, o exame é entregue em três dias. Dinalva disse que o Hospital Clementino Fraga, referência no Estado para tratamento da tuberculose, dá o resultado do exame de baciloscopia do escarro no mesmo dia, ou seja, antecipando a determinação do Ministério da Saúde que é de 24 horas. “Com esse evento, a nossa intenção é que isso se repita em todos os laboratórios da rede SUS na Paraíba”, completou.

Temas – Os participantes do fórum estão debatendo diversos outros temas, como a situação epidemiológica e a política de controle da tuberculose no Brasil, a prevalência da doença entre os pobres, o diagnóstico bacteriológico da tuberculose, controle de qualidade de baciloscopia nos municípios do Projeto Fundo Global; Cultura e Teste de Sensibilidade; Rede Nacional de Laboratório da Tuberculose; Impacto da Infecção pelo HIV nas Ações de Controle da Tuberculose, dentre outros assuntos.

Destaque – A Paraíba é um dos poucos Estados do Brasil que tem se destacado nas ações de combate e prevenção da tuberculose, segundo avaliação do Ministério da Saúde. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30), pelo pneumologista e pesquisador do Instituto Clemente Ferreira, em São Paulo, Fernando Antônio Fiúza de Melo, que participa do evento.

Ele destacou que entre as ações realizadas pela Paraíba está o serviço do Tratamento Supervisionado, que consiste em um profissional de saúde acompanhar de perto a medicação tomada pelo paciente no tratamento da tuberculose.  “No tratamento supervisionado, a pessoa acometida da doença vai tomar a medicação na frente do profissional de saúde”, explicou.

Avanço – A partir desse programa o índice de abandono do tratamento por parte do paciente tem reduzido significativamente na Paraíba e isso é mais um avanço que o Estado está conseguindo. De acordo com Fernando Antônio Fiúza de Melo, esse índice deve ficar abaixo de 5% no Brasil e na Paraíba, segundo Geisa Campos, chefe do Núcleo de Doenças Endêmicas da Secretaria de Saúde do Estado (SES), gira em torno de 7%.

Controle – Uma outra ação que a Paraíba vem realizando com o objetivo de controlar a tuberculose é o Inquérito Nacional de Resistência às drogas usadas no tratamento da doença. De acordo com Geisa Campos, o Estado tem um bom programa de controle da tuberculose “e isso nos credencia a participar dessa pesquisa que vai apontar o grau de resistência da bactéria aos medicamentos utilizados no tratamento da doença”, completou.

A partir do resultado da pesquisa e, dependendo do grau de resistência, poderão ser utilizadas outras formas de tratamento com o uso de drogas mais ‘pesadas’ e mais tóxicas, ou seja, uma medicação de segunda linha conforme explicou médico epidemiologista José Ueleses Braga, pesquisador do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, no Rio de Janeiro e que também está participando do fórum.

Da Assessoria de Imprensa da SES