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‘Método Mãe Canguru’, da Maternidade Frei Damião, é referência em atendimento humanizado de prematuros

segunda-feira, 31 de outubro de 2011 - 08:29 - Fotos:  Antonio David/Secom-PB

Estima-se o nascimento de 20 milhões de bebês prematuros e de baixo peso em todo o mundo. Destes, um terço não chega a completar um ano de vida. Na Paraíba, a Maternidade Frei Damião, que integra a rede hospitalar do Estado, dispõe de um projeto para ajudar a salvar a vida dos bebês pré-maturos. Trata-se do “Método Mãe Canguru”, que atende a cerca de trinta recém-nascidos mensalmente. A Enfermaria Canguru, como é chamado o local onde os bebês ficam, dispõe de quatro leitos destinados ao internamento dos recém nascidos de baixo peso – menor que 2500g – vindos da sala de parto, da UTI neonatal  ou da  Unidade Neonatal de Cuidados Intermediários.

A médica neonatologista Sandra Giovana Muniz de Macêdo Mendes explica que, para a assistência ao binômio mãe-bebê, a maternidade dispõe de uma equipe multidisciplinar composta de um neonatologista diarista, neonatogista plantonista (para assistência às intercorrências do bebê), obstetra diarista, obstetra plantonista (para a assistência às intercorrências da mãe), enfermeira, técnica de enfermagem, fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga e assistente social 24 horas por dia.

O temo de permanência do bebê na Enfermaria Canguru depende da evolução clínica de cada um e obedece a uma série de critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.  Para admissão do recém-nascido, o MS determina: estabilidade clínica, em que o recém nascido respira espontaneamente, sem necessidade de oxigênio ou medicações e tenha peso mínimo de  1250 gramas.

De acordo com Sandra Giovana, no primeiro dia de internamento, a equipe multidisciplinar acolhe mãe e bebê e explica para a mãe e para seus familiares a finalidade e a importância do método. A mãe recebe orientações da equipe quanto à importância do aleitamento materno e a todos os cuidados com o bebê, como a postura, banho, troca de fraldas, vestuário adequado, higienização.

No método “Mãe Canguru”, diariamente o bebê é examinado, avaliado e estimulado à sucção para que tão logo possa mamar diretamente ao seio. Enquanto isso não ocorre, a equipe e o Banco de Leite orientam e estimulam a ordenha do leite materno para que o bebê que ainda não mama diretamente ao seio materno receba o leite de sua própria mãe. Todos os dias, ambos têm direito a visitas.

Sandra Giovana afirma que, quando o bebê melhora, após três dias consecutivos de ganho de peso, com peso mínimo de 1650 gramas, ele está apto para receber alta hospitalar, desde que a mãe e a família estejam preparadas para fornecer os mesmos cuidados em casa. “Para tanto, eles recebem todas as orientações necessárias durante o internamento, inclusive sobre urgências”, ressaltou.

Após 48 horas da alta, o bebê retorna ao Ambulatório de Egresso na Maternidade para avaliação médica clínica. Na primeira semana pós-alta, o bebê é examinado três vezes por semana. Na segunda semana, duas vezes e, a partir da terceira, uma vez por semana até atingir o peso de 2500g, quando então é encaminhado para o ambulatório de Pediatria, que fará atendimento mensal da criança.

Sandra Giovana explica que até atingir o peso de 2500g, o bebê poderá retornar a qualquer hora do dia ou da noite, se for necessário, para a maternidade, já que ele tem direto à agenda aberta. Na ocasião de não comparecimento à consulta médica, a família é contactada e então é providenciada nova marcação de consulta.

Literalmente canguru – “Ficar com o bebê 24 horas por dia coladinho no corpo da mãe, isto é, na sua essência, o que consiste o Método Mãe Canguru”, segundo a médica pediátrica-neonatalogista da Maternidade Frei Damião, Fátima Paiva. Ela explicou que o método foi idealizado e desenvolvido na Colômbia, na década de 80, pelo neonatologista Héctor Martine e inspirado pela observação do comportamento das mães cangurus, animais que continuam seu crescimento e desenvolvimento fora do útero, em uma bolsa.

O método assegura aos bebês o aquecimento pelo contato pele a pele com troca de calor contínuo, aumento do vínculo afetivo, melhorando o funcionamento do seu sistema respiratório como resposta ao ritmo respiratório da sua mãe. O método ainda proporciona o estímulo à amamentação, garantindo proteção natural contra infecção além de assegurar a aceleração do desenvolvimento físico, motor e psíquico do bebê.

“Esse novo olhar tanto por parte dos profissionais da saúde envolvidos com o Método Canguru como pela família na figura da mãe e porque não dizer do Pai Canguru, tem se mostrado como grande aliado no combate a Mortalidade Infantil”, finalizou a médica.