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‘Trem da Vida’ sensibiliza usuários para doação de órgãos e tecidos

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 - 12:58 - Fotos: 

O ‘Trem da Vida’ partiu, às 8h20 desta sexta-feira (25), da Estação Ferroviária de João Pessoa, com destino a Cabedelo, para levar informação aos passageiros e tentar sensibilizá-los sobre a importância da doação de órgãos. O passeio foi uma das atividades da IX Campanha Estadual para Doação de Órgãos e Tecidos, programada pela Central de Transplante da Paraíba, órgão da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

A campanha começou quinta-feira (24), com o tema ‘Deixe mais que saudade… Deixe vida! Doe órgãos’. Neste sábado (26), haverá a ‘Caminhada pela Vida’, do Busto de Tamandaré até o Hotel Tambaú, na Capital.

Animados por um trio de forró pé-de-serra, pacientes que aguardam por um transplante, pessoas que já foram beneficiadas com doações de órgãos, parentes de doadores e funcionários da Central de Transplante distribuíram panfletos explicativos durante a viagem de trem, com o objetivo de tentar convencer os passageiros a se tornarem doadores de órgãos e tecidos.

Cinco dias na fila
– A estudante Elaine Maranhão, 23 anos, era uma das mais entusiasmadas. Beneficiada com um transplante de córnea há quase três meses, ela se engajou na campanha para ajudar outras pessoas que estão na fila. “Eu tive a sorte de conseguir logo uma doação. Entrei na fila num sábado e cinco dias depois, me ligaram pra eu fazer o transplante.

Fiquei surpresa, porque não achei que fosse ser tão rápido. Agora, estou aliviada, porque mesmo sabendo que terei que fazer a cirurgia do outro olho, sei que o meu problema será resolvido. As pessoas precisam se colocar no lugar dos outros. O trabalho da Central de Transplante é muito sério, mas as pessoas têm que doar os órgãos dos seus parentes”, disse.

Atualmente, 425 pessoas aguardam por um transplante na Paraíba. A maior demanda (384) é por um rim. As córneas vêm em seguida, com 28 pacientes inscritos. Oito pessoas esperam por um fígado e 3 por um coração. Uma dessas pessoas que estão na espera é o aposentado Marcos Antônio Diniz, 59 anos, na fila de rim há oito anos.

Por causa do problema renal, ele precisa se submeter a três sessões de hemodiálise por semana. “É preciso que haja mais campanhas publicitárias para esclarecer as pessoas. Tem muita gente que ainda não sabe como funciona o processo de doação de órgãos e, por isso, é importante a divulgação”, comentou.

Contra o tempo
– A gerente para Ações Estratégicas da Central de Transplante da Paraíba, Myriam Carneiro, lembrou que os órgãos só podem ser retirados com a autorização da família e que, após a confirmação da morte encefálica, existe um prazo para a captação dos órgãos e tecidos, que se não forem removidos no tempo certo, não podem ser aproveitados. “Se o coração parar de bater, os outros órgãos não são mais aproveitados, mas apenas os tecidos, como córneas e válvulas do coração.”, explica.

O coração, depois de retirado do corpo, só pode ser transplantado em, no máximo, quatro horas; o fígado e o rim, em até 24 horas. As córneas podem ser retiradas, em, no máximo, seis horas após a morte do doador e, depois de preservadas no Banco de Olhos, duram até 15 dias.     

Qualquer pessoa pode ser doador, desde que não tenha passado por doenças que possam prejudicar o funcionamento do órgão nem tenha tido câncer ou alguma doença infecto-contagiosa, como hepatite, meningite e aids. No caso da córnea, o câncer não impede a doação, mas apenas as doenças infecto-contagiosas.

Não existe limite de idade para a doação dos órgãos, mas para evitar a rejeição, é preciso que o doador tenha um bom quadro clínico e que possua o mesmo tipo sanguíneo, compatibilidade genética, além de peso e tamanho dos órgãos semelhantes com os do receptor. Os transplantes de medula óssea, rim e parte do fígado podem ser feitos entre vivos.

Desde que a Central de Transplante iniciou suas atividades, em fevereiro de 1999, foram realizados 1.436 transplantes no Estado, a maioria – 1.317 – de córneas. Os de rim somam 75, os de fígado 37 e os de coração, 7.  

Caminhada pela Vida – A campanha prossegue neste sábado (26), com a ‘Caminhada pela Vida’, do Busto de Tamandaré até o Hotel Tambaú, na Capital. A concentração terá inicio às 7h30 e o evento vai contar com a participação da Banda Marcial da Fundação Bradesco, formada por crianças e adolescentes.

Durante o percurso, a equipe da Central de Transplante distribuirá camisetas e bonés da campanha, além de panfletos explicativos sobre a doação de órgãos. A campanha, que teve início na última quinta-feira (24), será encerrada neste domingo (27), em Campina Grande, com uma caminhada, às 7h30, do Parque do Povo até o Parque da Criança, onde serão realizadas atividades recreativas e educativas.  

Assessoria de Imprensa da SES-PB